O Poeta e sua amante Poesia
A NOITE
ESCAFANDRO NA LIBIDO DOS VAGA LUMES LOMBRADOS
Um sol castrado no horizonte límbico da putrefação cotidiana
Onde ventos nostálgicos sopram venenos do passado
No motor eólico do meu coração de energias renováveis.
Sentimentos descartáveis contribuem para o equilíbrio do planeta
No microcosmo de minhas idiossincrasias
Paralizados no macrocosmo da agonia e do desespero humano.
Arma na mão...
Roleta russa meu amor!!!!
A arma é meu irmão gêmeo siamês .
Fantasmas bocejam mudos
Na esquizofrenia de minhas sensações
Um gozo mais libidinoso que Sade
Palpita em meu corpo
Passeia em meus nervos frágeis
Me tiram do chão
Como uma crise de labirintite
Nos labirintos escafândricos na outra dimensão
Que se estende para além do corpo
Porém ainda nesse mundo...
Mergulho incerto na areia movediça de si mesmo
Nos inconcientes desejos Freudianos
Afundo, absorvo, implodo-me e exploro-me...
Vaga-lumes lombrados guiam-me escuridão a dentro
Dessa estrada turva
Que insinua a próxima curva bifurcada ladeira acima
Contra a corrente e na contra mão.
17/08/20011
Leidivan Maldito
SONHOS DE AMOR
Medonhas confidências fiz à lua,
A velha prostituta dos amantes,
Bebendo do meu copo, exposta e nua,
Permite-se ao desfrute das bacantes.
Orgástica e tão plena já flutua
Sangrando as ilusões mais delirantes.
Reflexos desta dama sobre a rua
Enganos falsificam diamantes.
Meus espermatozóides sem proveito,
Jogados nas latrinas da esperança.
Rolando, vou sozinho em velho leito
Arcando com meus erros. Grito amor,
Apenas o vazio inda me alcança
Lançando meus prazeres ao terror...
Marcos Loures
O cio da Terra
Terra que piso, terra que me sustenta,
Bendita terra que gera a semente...
Terra no cio,
Terra que inflama num grito
Na imensidão...
Ao parir cada parte de vida...
Nessa grandeza,
Sinto o cheiro da vida...
O rasgo que se rompe
Ao brotar de cada semente.
Água que sustenta os vegetais,
Sendo terra, tendo seiva,
Terra que amamenta sua criação...
Ovos fecundos dos passarinhos,
Vôos acasalados,
Cada qual com seu par,
Vejo os bem- te- vis,
Os canários,
Os sabiás e as juritis,
Ouça o cantar enamorado
Dos rouxinóis e dos pardais...
Em cada centímetro de terra tem cio,
A lontra no riacho quer gerar e quer parir...
O gado no pasto aumenta a criação...
Todos os mamíferos exalando cheiros no ar...
Onde mais uma vez a terra grita que tudo tem cio...
O cavalo selvagem corre rompendo fronteiras,
Vai à busca do seu par, para poder também acasalar...
O céu está coberto de pontos voadores, são insetos unidos
Copulando em pleno ar...
E a terra grita que está em criação...
A mulher quer ser mãe, óvulo fecundo,
Pare no leito e ouve sua cria chorar...
Tudo coopera para essa criação,
Ouça o som dos ventos nas árvores,
Levando os polens fecundos para outra árvore gerar...
Heis a semente, que rasga a terra, que brota no chão,
Rompe o hímen do chão quando decide procriar...
Bendita terra que gera que está sempre em criação,
Veja, sente, ouça tudo na terra mostra o seu cio...
E que o homem com as suas mãos maléficas de destruição,
Não ponha fim a essa constante renovação...
Terra que piso, terra que é o meu chão,
Terra que é mãe natureza...
Pego o meu torrão quero fazer parte dessa criação.
DEUNICE MARIA ANDRADE DE LIMA.
Entrevista
O suicida
O suicida caminha cabisbaixo
Percebe o fracasso,planeja e advinha
Esse ator de platéia vazia contempla
Que lhe escolhe deslumbra o delírio
Tenta fugir da nostalgia.
É o corsário que por mares desconhecidos
Por pântanos cotidianos e desertos vividos.Silencia-se ao espelho
O suicida é o mesmo paranóico de ontem,de frases e gestos
Arrependidos,por pálpebras sonolentas veste o cansaço.
É o cálcio que sustenta os ossos miseráveis da cabeça e o fio de cabelo que se desintegra
Agrega-se aos demônios ,que aos ouvidos sopram-lhe palavras lúcidas.
O suicida é a criança de hoje e o louco de manhã
É a negra sombra do telhado que acorrenta o olhar
É um corpo aparado ,pode estar em qualquer lugar.
Por Talbert Igor
O QUE ESTOU LENDO
TELOS TRANSGRESSÃO
Chopin rodopiando suavemente
Nos quatro ventos do meu coração
Esplêndido nada sincronizado do romances
E dos relacionamentos exibidos na novela das seis
Pathos correndo em minhas veias
Feito dionisius vinho impúdico em minha garganta
Minhas idiossincrasias enclausuradas
Na gruta noturna de minha inconsciência
Minha juventude dorme nas mãos esquecidas de deus
Pagão confesso partidário do caos
Aves noturnas da morte
Aves de rapina de minhas selvagens impressões
Enclausuradas e torturadas em meu universo paralelo
Cheio de contradições e contravenções e contra convenções
Nascidos da veemência fremente
Do meu telos transgressão
Poetizar é perverter e submeter ao extremo a subversão
Mistificar o absurdo e crucificar as palavras
A um culto patológico e dogmático
Como os delírios das religiões e das ciências
Em meus sonhos eu vejo o céu sangrando
E anjos sequestrados trocados pela liberdade anarquista
Que a arte reivindica e necessita
Eu vejo um labirinto caindo do décimo terceiro andar
Garganta a dentro do meu corpo
Hospedeiro do caos teofânico da poesia libertina.
Estômago dos Deuses
FOTO: Olavo Saldanha
Lepras chamadas de gente
Presas em seus divinos prantos
Rangem seus dentes mancos
Aguardando o Deus Fome.
Ave ! ave! Faminem
Fome ,famintos
Mortos de fome
Vivos de fome.
Templos de tripas
Hóstias de lixo
Missas na rua
Vigários mendigos.
Ave! Ave! Faminem
A fome de viver
Morreu de fome
Mas, os famélicos ainda vivem com fome
Para esfaimar-se nas calçadas
Até que a fome morra de inanição.
EU NÃO TENHO MEDO DE RAFAEL
- -
Óculos e barba rala nem de longe podem definir-te
Apressado e tenso passageiro do delírio
Passeia no trem fantasma do teu espelho íntimo
O teu vale de lágrimas é um rio de águas turvas
Onde teus olhos de narciso-medusa
Te convidam a um mergulho sobrenatural
Cai do décimo terceiro andar
Da ilusão imagética e irreal da arte surreal
Mas tem preguiça de cair na vida
Exita pensa...
A melancolia tua companheira e minha
Parece que agarrou-se ao teu corpo
Feito uma tatuagem que o teu íntimo medo da solidão faz crescer
Só a arte te salvará perdendo-te e matando-te para renasceres outro
Uma arte vertigem transgressora
Combustível magma de teu eruptivo e implosivo vulcão
Dissimulas o teu coração que clarividente
Como as águas que espelhavam a beleza de narciso
Transparece a tua alma paisagem imediata
Cartão de visitas marcante como um sorriso espontâneo
Participamos-te e sofremos-te o que pretensamente achas esconder.
Leidivan Rodrigues
JARDINS DE MÁGOAS
“Criar uma pequena flor
exige um trabalho de séculos”
(William Blake)
Tulipas banguelas acenam amputadas nos jardins de mágoas
Trava o artista a sua árdua batalha expressiva em busca da leveza
Bailando por sobre as intempéries da vida
Demências tangidas demências vividas demências desejadas
Calor etéreo transpira o corpo nordestino
O sol que incomoda transborda o céu de luminosidade expressiva
Melancolia me domina me atravessa noite á dentro
Como um projétil ruidoso
Insônias pesadelos e palpitações noturnas e febre
Prenunciam a presença do diabo que me tenta ao suicídio
Todos os homens estão fadados a morrer
Ou como diria Becket :
"Todos temos de nos conformar pois o inferno nos aguarda"
Além da estrada e para além do túmulo post mortem
Mas nenhuma transcendência me amedronta ou me provoca
Tanto quanto a vida tal qual ela é
The dark side of the moon
A noite persiste com seus demônios alados fustigando-me
Feito pernilongos a perturbar-me o sono
A noite desperta o artista sonâmbulo de inquietações
Delirium tremens bombardeiam o tédio
Venenos de eletricidade açoitam meu corpo hedonista
Torturado como um comunista nos porões do DOI-CODI
E eu falava em tulipas flores decepadas carnívoras e murchas
Adornam os jardins dos morros narcóticos
A guerra civil banha em vermelho
O sol da tarde inútil de domingo
Que cheira a tédio e a naftalina
Escuto o rap-requiem das favelas chapadas de Armagedom
E ao som de violinos distorcidos e toscos
Adormeço no caos silencioso e eloquente
Do inferno Kafkiano que habita em mim.
Por Leidivan Rodrigues
Barbalha, 201O.
Quando...........................
O temor é arma que pode matar o riso
As situações acontecem os fatos murcham
As rosas sem pétalas sem raiz sem cheiro
O jardim se tornara vazio
O vento já não venta mais
A terra já não mais produz
Quando ..........
O espaço já estiver cheio
A chuva já não tem raios para molhar
Serafins sem asas suicidando-se no vazio
Chorando amores ,cuspindo ira
A solidão essa madrasta dos amores
Será mãe desses corpos
Estarão perdidos entre
Convulsões de ódio
Nadando entre os fins tristes.
Entregues a Satanás
A providência de um destino que nunca foi deles .
Quem tem medo da barba?
Ainda me lembro da minha primeira penugem facial na época de garoto,sempre querendo ostentar aquele símbolo capilar que tanto enchia de orgulho muitos adolescentes, raspávamos mesmo tento só aquele pouco, todos queriam ter a tal barba.Depois do 11 de setembro a barba virou símbolo de medo. Com a recente morte (?) do líder da famigerada Al-qaeda esta inaugurado o BINLADISMO SAUDOSISTA .Acho que o termo morrer de saudade ou matar a saudade se aplica bem a isso não acham ? Voltando a barba que é o que interessa . Penso com muito pesar no coração, qual o futuro da barba no mundo? Papai Noel por exemplo teríamos um velhinho sem barba ? Tome Prestobarba, Gillette nele,a primeira faz tchan a segunda faz tchun, Moisés seria reduzido a mero agente do Green Peace ou de alguma sociedade protetora dos animais,Marx sem barba !! Já pensaram na calúnia? Fidel ou Darwin,sobra até para o coitado do Gandalf ,cuidado Merlin fuja, sorte do Enéias, se pegam o Eros Grau tá frito.
Como havia falado em outras linhas o Binladismo voltou agora com faceta da saudade.Pensado bem, como seria uma canção de dor de cotovelo em árabe ? Nem me arrisco .Saudade,bomba e Arak .Os atentados serão agora em nome da dor e da perda ,seu séquito toda vez que sentir a mágoa e chorar pelo ente querido buá,buá snif,snif “ .Vai ali e faz um 11 de setembro”. A barba agora inspira medo.O mundo pós –Bin Laden esta de volta .O Obama consegui YES WE KILL .Quem tem medo da barba? Os democratas?Os republicanos?A CIA? Donald Rumesfeld. Matar o homem é fácil quero ver matar a barba.
Por JOÃO HENRIQUE
DOUTRINA DO CHOQUE -DOCUMENTÁRIO
DÊ UMA OLHADA NESSE POETA
Logo de cara na primeira página o livro dá o recado com a frase "Não leia agora. Aguarde a solidão tomar conta de você " Não preciso dizer mais nada meus caros leitores. Lançado em 1995 /96."Como se" tem poesias fortes mas de leveza única, as minhas preferidas são sonâmbula, diário, agonia e êxtase, chave de sete portas.João Henrique
TEM QUE FAZER E REPASSAR!
A net tem disso: mandam coisas de Jesus, de Deus, Alá, Buda, Olorun, Iansã, Iara, São Noure, com pessoas pedindo ajuda, desaparecidos e às vezes, mesmo sem vontade de fazer em alguns momentos, os medos fazem a gente ter que fazer, passar e repassar de forma impositiva e não solidária.Um dia recebi um para ler e de imediato não consegui fazer a leitura e fui me afastando e li: falta de sexo causa cegueira.
Eu disse, bem não é comigo. rs.
E terminei por enviar para 20 pessoas e dizia o texto que se não enviasse virava a casaca. ai, ai.
Mandaram um até suave e não é que é curioso? Pede para digitar no google: teste da alma e clicar no primeiro nome da pesquisa e seguir adiante.
Ficou melhor do que leitura de mão na praia por cigana.
Mandaram enviar pra trinta e fui além, pra mais de 150. Huuuu! Faça também e se não fizer, sei não viu... Ai, ai, ai.
POR Odara BBC-Noure Cruz
PSICOPORRA666
Entrego ao vento mudo a minha falaSombra que cala e aguarda
Tempo distante cheio de estrelas mortas
Fulgurantes viciadas em brilho.
Comemoremos meus caros patrícios
As últimas gotas de vinho
A velha bêbada perto do moinho.
Eu tenho náuseas todo o fim de semana
Oscular o tédio ,deitar com a derradeira revolta
Para logo em seguida trepar com a primeira calmaria.
O opaco traço da minha dúvida verseja insólitas divagações
Despejadas em dionisíacos festins
Onde centauros ,sátiros e madonas
Comungam da hóstia depravada dos sentidos.
( 1977 - 201_ ) João Henrique
DOCUMENTÁRIO DICA
“Borat” chega-nos um olhar mordaz e sarcástico sobre a religião em todo o mundo.Do diretor Bill Maher, ativista, político, comediante e crítico de religiões, e com direção de Larry Charles (Borat). O filme contará com várias entrevistas de religiosos tendo em vista mostrar o quanto às crenças são insustentáveis e o quanto os ditos “religiosos” apenas seguem os seus líderes, já que muitos deles não sabem dizer nem a época em que o possível Jesus Cristo esteve vivo.
Áudio; Inglês
Legenda; Portugues
http://www.cocaepipoca.com/2010/05/religulous-legendado-para-download.html
ANDANDO DE BORESTA PELO NADA
quadrados, retas, curvas
os horizontes são sem visão
o algodão não faz nuvem
a arma não trás a paz
o símbolo não é força
dormimos sobre a glória dos que já foram
fósseis achados dentro de uma geladeira
osso, coluna, vértebra
me deem coisas que eu possa possuir
do Iraque ao beco sujo de Salvador
tudo já foi dito.
anjos em garrafas de vidro planando pelos rótulos gastos
vendo almas. Alugo Karmas
me aproximo frustrado para depois afastar-me feliz
roubo a mim mesmo
carregando o peso do cosmo em um baseado dionisíaco.
IN EXTREMIS
In Extremis(docemente pornográficos)” Drummond
A pele ferve todo sal e a ferrugem,
Teu sexo abriga o ninho de cem escorpiões.
Quanta saliva é preciso para escrever este poema?
Os lábios roçam teu mamilo e a ponta dos dedos imprime dor
Indefesos, solitários...
O gosto de leite inundando a boca escorre morno
E a língua cega percorre o trilho de mel.
A flor se abre no jardim proibido e atiro a chave ao infinito.
A menina com o rosto colado ao travesseiro entrega-se ao merecido
castigo
Dois inocentes colorindo a perversão.
Tua nudez é espetáculo para as mãos.
Os dedos cavam o gozo profundo,
Entre gemidos e aleluias invocamos todos os anjos
Celebramos a liturgia dos desesperados.
Sofregamente sorvo a taça de prata
O líquido quente lava meu rosto e eis que se anuncia o meu batismo.
Galopa pequena teu corcel em brasa,
Crava os dentes em meu dorso nu
Sangra a ferida exposta... lambe as nossas culpas.
FREITAS,Ronald.Intenções de Poesia. 2010
PALAVRAS CÍNICAS
GENEALOGIA DE UM POETA
Pois bem - me apresento:Sou filho da Estupidez e do Descaso
irmão primogênito da Solidão
da necessidade ríspida de ter irmãos
Com tais armaduras
Reino sobre corpos inválidos e nus
...marginália dos desgraçados
dos malditos
dos sórdidos
dos cordeiros sem alma
e sem pasto...
ou talvez eu não seja tudo isso
mas afirme ser
para conseguir chamar a atenção
daqueles que acreditam ser o que não são
para talvez conseguir enganar a atenção
daqueles que acreditam ser o que não são
e não podem ser, e jamais poderão ser
E camuflam suas vidas num estado ficcional
com a devida prudência de desligar a TV
logo após as notícias em tempo real
da Guerra no Oriente Médio
mas ignoram em suas camisetas do “Che” a posição geográfica da base de Guantánamo
(inescrupulosamente fudidos nas mãos dessa merda de juventude ignóbil).
Esses mal percebem o que consomem
e me enrolam numa seda fina
e me lambuzam com suas línguas úmidas
e me fumam em baforadas inexpressivas.
a quem reclamar o contrabando adquirido?
a quem louvar quando a imagem se parte?
Não me importuna a surdez do mundo
os revólveres soarão ainda mais estridentes.
Sim. Venham: amontoem-se ao meu redor e ceguem-me
Dilacerem minhas córneas cuidadosamente
pois tantos outros as necessitam bem mais
e eu as utilizo de maneira indevida e pouca
Tudo em mim é CULPA
Arranquem-me das mazelas que me adornam
Sangrem os meus punhos em excessiva filtragem
em busca da quantidade devida do sangue precioso
para transfusões futuras nos seus pares.
Tudo em ti é CULPA
E o que buscaremos num mundo
onde a Culpa é a exceção dos fatos?
Mesmo em face pretendo todo o ato
e dou à luz a todo tipo de moleque
Feito os becos das cidades que se erguem arrogantes
e proliferam ratos virulentos e sádicos
que invadem as bolsas da burguesia
e se perdem entre brincos e maquiagens contrabandeadas
Me atinge a vileza ao tentar educá-los
reabilitá-los à irmandade entre tais
E antecipadamente me entristeço ao ser tocado pela Felicidade:
- a felicidade, senhores, é um prelúdio à depressão.
Nunca confie num homem que busca a felicidade.
Toda negligência atemporal hospeda-se em minhas costas
no peso daquilo que carrego
na responsabilidade de liderar uma revolução
sendo eu apenas um poeta ou um pedinte
levemente talhado no cotidiano das ruas.
Um amontoado de roupas sujas habita meu dorso diário rotineiro e ininterrupto
Um amontoado de roupas sujas é o que me faz acreditar que amanhã estarei disposto
disposto talvez a não mais usá-las
a levá-las ao auxílio das máquinas de triturar
resumindo-as em retalhos e lembranças
E isso pouco me aflige
As lojas me propõem tantas outras diversamente coloridas
e divertidamente entediantes
Mas as busco veementemente
pois assim o meu domingo é bem mais saudável
e assim sou aceito e compreendido entre os da minha legião.
Percebo o tédio transpor meus dedos
e arranco-me dos dedos que trago há tempos
Tenho olhos de amontoadas tristezas
e celebro a melancolia em mim:
- sou grato por isso
Doou preces aos homens
e ponho a minha educação distante de Deus
Bebo água benta em goladas volumosas
me alimento de hóstia e pão
como se a minha fome se desse
pela mera necessidade de manter a condição de alimentar-me em curso
e jamais me propondo cativo do alimento em si
mas sem perceber sendo cativo daqueles que me alimentam
Como fazem os cães aos pulos variantes nos braços de seus adestradores
Como fazem os rebanhos aos olhos atentos dos pastores calados.
Necessitaremos sempre de um líder?
Do vinho sou abstêmio
Não pretendo manchar minha roupa nova e dominical
Ousaria eu manchá-la?
Hoje tenho a surdez em meus braços
Afago o seu nariz
fazendo com que esqueça sua horrenda conduta
Queria tê-la sempre presente em meu bolso direito
pois é de fácil acesso à mão mais calma que possuo
No bolso esquerdo guardaria uma dolla ainda não amarrotada
para dar-lhe quando despertar dum sono confuso
Bem sei que o carrasco sofre não pela barbárie do ato
mas sim por ter que carregar o machado por toda a vida.
Afilhado da Loucura:
em meu adormecer
tive todas as flores
provei de todas elas
muitas sem nem tocar
...os melhores beijos
tive das bocas que jamais ousei...
Com devida prudência perceberão:
tenho olhos secos
mãos ásperas
e um timbre de voz salubre
Os meus dedos são breves
ou são longos os objetos que busco
Orixás me guiam e me abastecem com suas armas
Mas antes – envio um ofício
com pedidos de licença ao Vaticano
pois ainda não me enviaram a carteirinha de ecumênico
nem mesmo fui excomungado ainda.
Vivo vagarosamente em meu auxílio
dentro de mim
quase sempre me perco
Retorno apenas quando todos os meus mortos estão em paz
e o barulho que produzem
não mais me amedronta.
Da esperança que não alimento edifico meus vícios
A lança que te ergo
aceita-a sem preocupação cristã
À faca: pão e mesa
Distribuída ao pendular da matéria
Não se deve ver beleza
no produto concreto daquilo que se beija
Constroem-se os hábitos e as mobílias
baseados nos cômodos da casa
Ou será o contrário?
Não sei. Definitivamente, não sei
E fui corrompido a não saber
pela quantidade de alucinógenos que me entupiram quando criança
Sei que bebo a quantidade devida
do líquido que as fábricas de copo
me induzem sutilmente a beber
e armazeno todo o resto
em recipientes construídos milimetricamente
com o intuito de adestrar a minha sede rotineira
e toda a minha esperança
Como se fosse necessário e a TV não executasse sua função devidamente
Me parece que até mesmo meu estômago
sofre com isso
e guarda compulsoriamente
cada golada que arrebato
com a precisa e gentil adaptação dos músculos do meu estômago.
Como orquestro meus sonhos
com as mesmas notas
que ouço rotineiramente advindas das Rádios
Como pinto minha tela de ilusão
com as mesmas cores
que absorvo rotineiramente advindas da tela do cinema
Como cumpro minha Arte a partir da arte de outros
e o carimbo latente do Cristianismo.
I
I
I
à parte de tudo isso?
quando estarei enfim
I
I
I
I
I
I
I
I
O Homem é produto da Fábrica e do Medo
E ele que se adapte ao câncer
pois deve moldar seu paladar
ao dissabor do alimento que digere
Como deve modular sua audição
à música que ouve
E seguiremos por um adestramento imperceptível
como todo adestramento válido
que alcança sua extensão exata
e o resultado aguardado agrada a todos:
é quando o bicho que se adestra
não se percebe adestrado
e a vida prossegue imperceptivelmente alienada
numa anestesia coletiva
para que não possamos gritar a dor
e assim acordar os nossos vizinhos em desespero.
nos alimentos;
nas flores;
nas artes;
nos cartões de Natal;
nas bocetas cobiçadas das meninas do interior
A indústria implantou um anestésico vicioso
de aroma agradável em cada um deles
Assim a Liberdade e a Felicidade
são palácios onde dormimos num chão frio e úmido
mas que jamais ousaremos negligenciar.
Quisera flor para toda primavera;
Quisera sol para todo riso;
Quisera dor para toda marca;
Quisera coisa-além.
O mundo deveria ser mais autônomo e fugir de seu completo anonimato.
Sou o que virá.
E o que se perde na distância do tempo.
Na desconstrução dos hábitos.
Em ingênuos comportamentos.
Assim me anuncio entre vós
cuspido pelo requinte de vitórias parcas
e glórias efêmeras
de um heroísmo falso e batalhas previamente perdidas
de superações ultrapassadas e vontades mudas
Carrego um cetro imbecil
ornamentado pelo desgaste de uma dinastia apática.
METAMORFOSE
O poeta é autoflageloCarne dilacerada
Alma que se desnuda
Mil capas entranhadas.
O poeta é ferida aberta
Corpo exposto
Consciência da dor
Inconsciência de si.
O poeta está no mundo
O mundo dentro dele
A poesia dentro dele
Realidade transpirada.
O poeta é um ovo?
A clara? A gema?
Poeta é casca
Completa sensibilidade!
Masoquista!
Narcisista!
Exibicionista!
Ilusionista?
Poeta é inflamação
Hiroshima Nagasaki
Implosão mal planejada.
Pés aleijados
Caminho reto.
Mãos aleijadas
Poesia errante.
Poeta é raiz em terra estranha
Alimenta-se de nutrientes e poluentes
Não distingue as pedras que apanha.
Misto de amor e sanha
Um formigueiro na alma
Na mente: sarcasmo de aranha.
O tempo é mestre que ensina
Deslembrando um pouco de cada vez
Cada ruga, um cravo do calvário
Vulgar ironia, que desfaçatez!
Gregor Sansa meu espelho
Há no poeta mil kafkas
Não estranhe este rosto feio
Pois sou Eu com tuas marcas.
RECOMENDO


CANSAÇO DAS ERAS
Vamos marchar em direção as nossas feridasSemear agulhas por entre corações cansados
Desfilar nossas infelicidades
Purgar mazelas em bares amarelos
Não me apresentei devidamente
Me chamo Cansaço das Eras
Viajei por entre mundos tortos
Vi espadas nas mãos de santos
Confissões sem padres
Condenações sem réu
Inquisições para inocentes
O gosto da poeira
O sabor da dor
Andei entre doidos e mendigos
Li para ascetas e degenerados
Como estou exausto desse eterno retorno
Peles e ossos cansados , sorrisos em areia movediça
Eles são sempre os mesmo de outrora
Fracos, pálidos ,sem cor
Eles sempre são os mesmos
Os anos caminham e pessoas correm
O aço atravessa a carne
E a guerra passa na televisão.
Sou o Cansaço que fustiga a lepra que separa o homem do monstro
Sou o estandarte que simboliza o nada
O cruzado arrependido sem pátria
Estou cansado das mesmas eras
Do passar enjoativo da humanidade
Tenho que me entregar ao sono monossilábico
ao entrevero banal , prolixo
Pois só assim vou compreender a raça humana
Apenas a ressaca sepulcral de todos os mundos pode me deixar cansado.
JOÃO HENRIQUE
VIOLENTAMENTE PACÍFICO
TEATRO DO ABSURDO
A intensidade de meus sentimentosé tão grande
que preciso contê-la,
esquecendo-os.
Mas eles são tão fúteis
que o melhor é aprisioná-los nos calabouços do espírito.
Vivo uma antítese absurda
numa existência que nunca muda
tão tragicômica que nem se rotula
hieroglífica de tão confusa.
Não há coesão nas minhas idéias.
Não há coesão em meus sentimentos.
Não há coesão em meus pensamentos.
Não há coesão em meu sofrimento.
Idealizo sem ter de verdade as idéias.
Sinto sem saber o que é sentimento.
Penso sem signos para o pensamento.
Sofro sem saber o porque do sofrimento.
Elkson Santana
ENTREVISTA :RAFAEL SARAJEVO
O FANTASCÓPIO CARIRI SEMPRE GOSTA DE TRAZER AOS NOSSOS LEITORES ALGUMAS NOVIDADES.O BLOG TEM ESSE COMPROMISSO DE TENTAR RETIRAR ESSES POETAS DA BASTILHA ONDE SEUS ESCRITOS ESTÃO ENCERRADOS.A ENTREVISTA QUE SEGUE É FEITA COM O POETA (por mais que ele não se intitule um) DE CÍCERO DANTAS CHAMADO RAFAEL SARAJEVO COM O SEU "Escritos de um inferno atômico " (JH)RS- Eu não sou poeta. Ser poeta que fique para os aduladores ou caras que versejam e se intitulam santos senhores de toda misericórdia. Eu não sou poeta.
F.C- O que te influencia na hora de escrever?
RS- Não são obras nem autores. E posso escrever sobre coisas que nunca vivi ou nunca presenciei. Mas isso não me parece esquisito. Talvez cada um tenha um resumo de tudo que existe. Eu me refiro ao seguinte: o que são as nossas mães senão putas dos nossos pais. E vê como elas detestam as outras putas dos nossos pais, as que não subiram ao altar com eles, e vê como toda a sociedade as detesta, porque toda sociedade é formada por putas e por mães, nada mais.
F.C- Qual a utilidade da poesia nesse mundo caótico em que vivemos ?
RS- Nenhuma. Poesia não serve pra nada. Fico impressionado quando vejo alguem dizer “li tal livro, tal livro mudou a minha vida”. – qual medíocre deveria ser a vida deste que diz isso. Porque livros são escritos influenciados por vidas. São vidas que devem mudar livros (me refiro à forma de escrevê-los), e não o contrário.
F.C- Dei uma olhada no protótipo do seu livro e achei muito interessante.Você poderia nos falar do processo de criação até sua edição.
RS- O que você achou interessante no meu livro? Ah, o entrevistado sou eu. Ta. Olhe só, eu acredito ao longo da história muito disso já aconteceu. Alguns se intitularam ou foram intitulados santos, profetas, filósofos, médiuns, poetas. Ou até mesmo apostadores ou donas de casa na feitura de uma nova receita. Não importa qual nome imbecil se dê às coisas. Não importa o nome que recebam. Toda obra não passa de uma psicografia. Mas não advinda de espíritos como acredita a doutrina Kardecista, ou talvez sim para uns. Porém cada um usa um nome diferente para isso. Toda cultura diferencia-se apenas pelas nomenclaturas empregadas. E talvez não tenha sido diferente no meu caso.
F.C- A frase de André Breton “o futuro do poeta é ser uma assombração” tem algo a ver com a sua poesia ou vai na contra mão do que você escreve?
RS- Acho muita prepotência acreditar que o poeta assombra alguém. Não, acho que de fato não. Ao menos não esse poeta que escreve livros e tal. Porque existem diversos poetas espalhados por aí mundo a fora. E que nunca escreveram uma linha. Existem poetas que são policiais, palhaços, mega empresários, donos de crocodilo, fãs alucinadas, vendedores de droga, coroinhas rebeldes, prostitutas fieis, donos de bar. Talvez esses poetas, os que nada escrevem, são os que mais contribuem com a poesia. Aí você deve me perguntar “então por que o Rimbaud escrevia, então por que o Bob Dylan canta, então por que o Salvador Dali fez quadros?”. Cara, é que essas figuras fazem tudo isso pelos medíocres (sejam eles intelectualizados ou não, não importa). Esses que não sabem ver poesia a não ser de forma material, exposta num livro, letra por letra, frase por frase. Seres imediatistas e preguiçosos. Como vocês que visitam esse blog e lêem essa entrevista agora. E acham legal e tal. Mas se perdem diante de alguma poesia escrita em lugar nenhum mas viva, que te cerca e você não sabe do que se trata, e precisa do Rimbaud, do Dylan ou do Salvador Dali pra fazer com que vocês enxerguem a porra da poesia. Poetas são apenas tradutores.
F.C- Escritos de um inferno atômico. Procura passar que espécie de sentimento ? Caos, tormento, loucura?
RS- Os sentimentos precisam ser reinventados. Instituições diversas se apossaram do amor, do caos, do sorriso, da dor de barriga, em alguns casos até os patenteando.
F.C- Deixe suas palavras, fale o que quiser para os leitores?
RS -(...)
O PRAZER FAMÉLICO
Passei como quem não passa e olhei como se não visse nada,mas vi um casal de fome desfilando suas tripas secas e ferozes pela rua. A mulher trazia consigo um horror fiel ao seu desespero.O homem deixava migalhas de alegria em cada porta que batia,seu olhar nada dizia nada pronunciava, mudo pela fome alimentava-se de pavor e ódio. Juntos de mãos dadas o casal andava aos tropeços ,viam a tarde amortalhar o dia ,a sombra comer suas costelas .Tudo cheirava a magoas sem caixões a defuntos sem despedidas .Apenas sentiam fome ,a fome inútil que não da feriado, que esconde no roçar das tripas o desejo de comer o mundo ,pular em um prato de misericórdia cristã ,pedir o que não poder ser pedido. O sexo da fome suava em seus corpos magros e indigestos que murmuravam alegres libertinagens ,os olhares afogavam-se em sensualidades e os beijos mortos navegavam em línguas bravias enquanto mãos ásperas roçavam pela buceta esquálida dando oportunidade a um pau fétido e sujo penetrar nesse regaço fedorento e moribundo. Gemidos ,afagos,orgasmos simulados. Finalmente a fome goza sem pecado e amanhã é um novo dia para executar a dança maldita dos estômagosJOÃO HENRIQUE










