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Sonho contemplar teus lábios entreabertos
tua boca fresquinha, rosada e nua
a tua língua me amará, estou bem certo
cravando-me os dentes na carne crua.
Consumido pela gruta dos enxertos
bebo do paladar doce da pua
uma ardente quentura cerca-nos de perto
sentindo teu calor a minha pele sua.
Sussurros deleitosos e excitantes
pululam desta macia alcova em apertos
gemendo, uivando...Sou toda sua.
Fundidos em abraços picantes
o frenesi dos corpos regem o concerto
inflamando o tíbio clarão da lua.
Por Ivan Santana
2006.



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Não sou mais o poeta do amor, ou dos sonhos doces.
Não romantizo mais verdades cruas e cruéis, nem engano mais os iludidos.
Não procuro entender o que não se explica, nem explico mais o que não entendo.
Não escrevo mais para pessoas felizes. Nem mesmo para as esperançosas.
Escrevo, agora, tão somente, aos desapaixonados, porque eles sim, sabem a verdade.
Escrevo aos desesperados, desiludidos, magoados, esquecidos. Aos que choraram o necessário para descrer da felicidade. A todos aqueles que um dia leram o que escrevi, e acreditaram.
Escrevo aos que não fazem mais juras de amor, porque não têm mais motivos para jurar. E porque foram traídos por quem mais juraram.
Escrevo apenas a eles, e por eles, porque não acreditam mais em nada, nem no futuro, nem que um dia será diferente.
E escrevo porque eles sim, conhecem o mundo real, e o coração das pessoas.
Escrevo, portanto, apenas àqueles que não sentem mais.
Que não riem mais.
Que não crêem mais.
Que não amam mais.
Embora, continue eu, incondicionavelmente, amando.

E quando sai o sol de amanhã
Quem já pergunta o que passou?
Quem nos faz além do que seremos?
Quem em vil desespero se alegra?
Em toda espada cria-se o suspense
De quem, frente a frente, não a teme
Porque o conflito é o mestre da verdade
E em todo vazio cria-se
De algo, em vácuo, em oco,
A latência eterna da esperança que nos alimenta
Pobres dos que saceiam-se com o muito
Pois serão vazios impreenchíveis
Pobres dos que enchem-se sem prazer
Pois serão sempre a mentira em partículas mortas
Salvos os que não aceitam mais que suas vontades
Nem menos que suas ambições
E não se negam, nunca
A assumirem, em grande alegria,
suas carnes, medos, dores e ódios.


SOMOS A REVOLTA NAS LETRAS. A POESIA SEM ESTÔMAGO QUE VOMITA POETAS ENCANTADOS O ESPAÇO SEM VAZIO. O PETER- PAN SEM INFÂNÇIA QUE VAGA SEM A ÂNSIA DE FICAR ADULTO. ORGANIZADOR: João Henrique Karamazov VIREM SEGUIDORES E DEIXEM SEUS COMENTÁRIOS