Vou celebrar!




 Vou celebrar as putas pelo prazer que elas dão
 Elas encerram o fétido jogo da sedução...
 Espalham-se pelas esquinas,
 Nos romances, em Paris,
 Nos dicionários as chamamos meretriz

 Penetrá-las é único prazer!
 Sentido por muitos em tempos já passados
 Por homens que do amor foram relegados



 Celebrarei o seu preço
 Que nem caro nem barato
 Derruba qualquer dúvida
 Que te faz um insistente chato

 Celebrarei as putas!
 Por sua exatidão
 Que desprezam aparências
 E só desejam seu tostão
 As putas acabam com a dor da solidão...

Daniel Carvalho



ENTREVISTA : Paulo Cesar

    Mais um vez o blog assume seu compromisso de garimpar os CEIFADORES DE PALAVRAS .Nessa entrevista Paulo Cesar expõe sua poesia sua alma, nessas linhas abaixo.Policial é poeta, ser humano de sentimentos únicos .


  • 1.Como a cidade de Cipó influenciou sua poesia ?
  • PC
  • Sou nativo desta Terra-Mãe, nascedouro das águas termais, bem como catador de versos por natureza, creio na pluralidade da existência, o que diga-se de passagem não foi por mero acaso nem encanto da natureza termos nos achado aqui nesse celeiro invisível e também de boa visibilidade aos olhos e senso comum. A energia de Caldas de Cipó, a Praça Juracy Magalhães, o rio quase morto (mas que ainda sobrevive arranhando os lábios de nossa mãe termal) o povo, nossas raízes, nosso jeito sempre diferente de atravessar a ponte e até mesmo as mágoas pelo que não temos ou não fizemos para ter, enfim...o borbulhar do gênio silencioso que emerge da febre de nossas águas.
  •  
  • 2.De que forma ocorreu seu despertar poético ?
  • PC
  • (risos) Lembro-me que quando ainda adolescente (criado por minha avó Nenê de João Bispo da Coelba), de posse de alguns livros antigos que meu avô João Bispo guardava em sua maletinha de madeira, nesse ínterim, eu contava com meus 13 pra 14 anos, fã dos versos de Drummond...”no meio do caminho tem uma pedra...”  daí que eu já me via a rabiscar uns versos sem pedir uma cerveja pra comungar aquele estágio, enfim tudo foi gradativo, e perceba que nunca fui um leitor assíduo. Sinto que essas raízes são profundas de modo que esse despertar é mesmo de outrora. Nessa seara deve ter acontecido mesmo de um estalo...que até hoje permanece estalando de quando em vez.
  •  
  • 3.Faça um breve resumo  meu caro PC sobre sua carreira poética (obras)
  • PC
  • Então meu Professor de Filosofia, durante os anos que se seguiram desde os idos de 1980 fui amontoando cadernos e rascunhos, manuscritos, recortes, conflitos íntimos, vivências, peças teatrais e nos idos lá de 1998 publicamos junto a gráfica bonfim meu primeiro livro de poesias intitulado: UM POUCO DE TUDO, que aliás de tudo mesmo ficou bem pouco, pois das 500 (quinhentas cópias) cerca de 300 delas transformaram-se em cinzas quando do incêndio do meu primeiro automóvel...isto ocorreu na cidade de Governador Mangabeira (recôncavo baiano) que a bem da verdade eu vinha do lançamento na cidade de Maragogipe-Bahia (na casa dos artistas, à época) com o objetivo de lançar também em nossa Terra-Mãe.
  •  
  • Anos se passaram e como a fonte nunca seca, após as virações e inquietações termais como de sempre, ressurge das cinzas IMPRESSÕES DIGITAIS (rabiscos&poesias) lançado pela editora Seven System (São Paulo), o que não me deixou satisfeito haja vista a obra existir de modo virtual (lapso meu, que devido a tormenta de emoções, deixei de observar algumas cláusulas do contrato no momento da assinatura) ver: www.biblioteca24horas.com, além do que o preço estipulado pelos editores (versão impressa), não condiz tanto com nossos padrões. Por hora estou a escrever contos e prosas, preparando o terreno para breve está com outra obra repleta de nuances “espíritalistas”, por conta da fase que estou atravessando, aliás faz 03(três) anos que me dedico a literatura espírita, escrevendo cartas, mensagens, poesias, textos espiritualistas sem qualquer entrave religioso nem beirar o fanatismo, aliás é no silêncio que tudo acontece. Gostaria de citar: Adenáuer Novaes, Martins Peralva, Chico Xavier e Divaldo Franco, cujas obras são indeléveis.
  •  
  • 4.Lançar um livro da trabalho como sabemos. Nos conte como foi o processo do lançamento de "Impressões Digitas "
  • PC
  • Os editores me encontraram enquanto postava poesias no site www.mesadoeditor.com.br, à partir daí partiram para a análise dos escritos, que após esse processo procurei registrar as obrar, encaminhei em pdf para análise, respondi um longo questionário enfim. Meses após essa tramitação recebi o contrato em minha casa. Confesso que a emoção da primeira viagem foi tamanha que nem recordo de ter lido na íntegra o referido contrato. Fiquei entre os dez escritores selecionados por eles. Os custos são razoáveis, entre
  • 5.Uma curiosidade interessante é a escolha da sua profissão policial militar não que isto venha a desmerecê-lo, mas nos conte como é ser policial e poeta viver nesse dualismo constante.
  •  PC
  • (risos) Eu sabia que você ia me perguntar algo assim, mas te digo que de bom grado fui recebido nos quadros da Polícia Militar que após 04 anos estando como Soldado, ao deparar-me no Centro de Formação de Cabos Combatentes (1996) de pronto fui relacionado entre os atores-policiais amadores para fazer parte do elenco do grupo teatral que ali existia, tive a honra inefável de conhecer o Coronel Anhamur Correia (Diretor do Centro de Formação), Major Giffoni (relações públicas à época), Sgt Pereira (poeta e ator), seres que me fizeram ver de perto a polícia dos meus sonhos naquela época. A profissão nunca se constituiu um entrave para mim, como vate de modo algum. Aprendi a representar meu papel de servidor público e poeta do meu tempo sem constrangimentos nem olvidar tal ofício, que na essência é proteger a população a que me dedico a servir, de modo que a própria arte e o bom senso tem-me amparado sempre, me inspirado a trilhar este caminho com a firmeza necessária ao  cumprimento do meu dever e como disse Che Guevara: sem perder a ternura. Hoje me encontro Sargento da Polícia Militar atuando na administração sem qualquer interferência do meu ofício de policial na arte de escrever. Aproveito para convidar os leitores a visitar o memorial Professor Evandro Goes que fica na recepção de nosso quartel, sede da Vigésima Primeira Companhia localizada no Bairro Pitomba em nossa cidade.
  •   
  • 6. O que ti inspira a escrever poesia ? 
  • PC
  • O pensamento que lateja dentro de mim. As pessoas. O silêncio.  Nossa Realidade. A musa que passa. Os espíritos que norteiam nosso senso de querer sempre o bem para nosso próximo.
  •  
  • 7 . Cite seus escritores e poetas preferidos?
  • PC
  • Tem muita gente que escreve com as tintas do seu próprio sangue. João Henrique, por exemplo (Ossuário de palavras mal-ditas), Raniery (Apologia das Águas) Glaydston Machado (todas as suas obras), Verônica, Ronald, Ailton Dias, os rabiscos de Eraldo...e os caras lá de longe...como a introspectiva Clarice Lispector (A Hora da Estrela), ah!!! O Carlos Drummond, Fernando Pessoa, José Saramago, Patativa do Assará...pô bicho...tem muita gente bacana que o verso tá na frente da gente, em cada esquina, em cada despertar (fiquei emocionado agora...vou tomar uma água e já volto)
  •  
  • 8. Atualmente esta fazendo alguma atividade ligada a literatura? Um novo livro a caminho? Ou enveredando por outros estilos ?
  • PC
  • Sim. Embora com o tempo corrido pra caramba...entre o trabalho e as atividades acadêmicas...você é testemunha ocular do que estou dizendo. Estou escrevendo sim...prosas, dissertações, mas como eu falei, um trabalho que reflete minha condição de alma na atualidade, muito embora sem pieguismos nem fanatismo...nem outros ismos do além-céu.

  • 9. Como você definiria sua escrita?
  • PC
  • Uma discreta metamorfose. Acho que é por aí. 
  • 10.
  •  Nesse mundo moderno você ainda acha que há espaço para a poesia principalmente entre os jovens?
  • PC
  • Sem dúvidas. Os jovens são a nossa riqueza. Abro um parêntese para uma ligeira reflexão. Ou nos armamos contra essa desaculturação musical inclusive, essa estagnação de valores, o adormecimento dos nossos espíritos do bem que garimpam em prol da arte poética, seja com promoção de semanas culturais, seja com até mesmo a proximidade entre nós poetas da terra e municípios circunvizinhos...publicação de uma coletânea inédita, divulgação do nosso trabalho nos meios de comunicação (me lembro que em 2006/2007 eu e o poeta Raniery apresentávamos o programa A NOVIDADE NO AR numa rádio em nossa cidade, sempre aos domingos), quem sabe a criação de nossa Academia, enfim meu caro, são tantas idéias luminosas que permeiam nosso orbe, que nos impõem a não desacreditar dessa premissa. A poesia é para todas as almas...inclusive dos jovens. Avançemos pois nessa simetria...SOMOS nós os intelectuais de HOJE.
  • 11. O espaço esta aberto para suas considerações finais
  •  ou agradecimentos enfim o que quiser meu caro P.C.
  • PC
  • Agradeço na sutileza do instante os questionamentos a mim dirigidos, o que para mim se constitui uma honra inefável, vez que não me furtaria a responder em qualquer tempo, posto que é a cultura nossa de cada dia que se aflora em poetas como você, meu ilustre professor de filosofia, poeta, conterrâneo e amigo das palavras certeiras. Considero-me partícipe dessa obra de arte, latente, pulsante e dotada de tanta ternura que alguns não se apercebem, já que as verdades travestidas de CERTAS VERDADES, não se coadunam tanto com a mesmice social em que vivemos (sem poupar adjetivos), refiro-me a sua preciosa obra: OSSUÁRIO DE PALAVRAS MAL-DITAS que li e ainda leio com atenção e carinho.
  •  
  • Que possamos nos encontrar mais vezes e da próxima vez distante dos corredores da faculdade, de preferência junto a um barzinho sem poupar caneta e papel...alea jacta est. Saudações Literárias a todos os que concordam e discordam, aos indiferentes...a todos os poetas de Cipó e do mundo inteiro. Luz e Paz a todos. Fraterno Abraço. Finalizo com uma poeisa do meu livro IMPRESSÕES DIGITAIS.  

ESPINHOS






FABRÍCIO PAZELLI 

O toque seduz seus anseios
Louca sensação de esporro
O suave aroma de seus seios
Emplaca sobre intensos gozos

Espinhos furam tua sensualidade
Machucam com furor tua inocência
Doce corte não será maldade
Num momento de pura essência

A falta machuca o desejo
Sussurrantes pela dor
Encontrados entre beijos
Onde sedeste por amor

Gritos esganiçados me deixam louco
Ela implora pelo fim e pelo instante
Teu suor corta meu corpo em fogo
Amando entre espinhos cortantes

Já no ato, entre fatos fuzilados
Tento fugir maldita proserpine
Rendo-me aos beijos e abraços
A este gosto em gozo sublime.

33 anos e mais nada

quis ser pão
quis ser vinho
quis ser água

o vento do moinho
o lider da manada

na ânsia de ser tudo
nem sequer o pó da estrada

Edson Xavier

Entrevista: LEIDIVAN RODRIGUES


Depois de um tempo parado resolvi voltar a ativa e entrevistar mais um " PROVOCADOR DAS PALAVRAS " Leidivan coloca suas opiniões e diatribes vociferando suas criticas ferozes aos valores medíocres de uma sociedade sectária e acéfala .No seu artefato que atende pelo forte nome de "K-ÓTICA " que será lançado de maneira bem underground para o público que gostar de poesia .

 (F.C.) NOS FALE DOS SEU PRIMEIRO CONTATO COM A LITERATURA.

 Bem, o meu primeiro contato com a literatura foi um tanto tardia, posso te dizer que só fui me interessar por ela quando eu estava terminando o ensino médio, na época eu tinha uns dezessete anos e achei um livro de poesias do João Cabral de Melo Neto esquecido na biblioteca do colégio em que eu estudava (você deve estar se perguntando)... É eu roubei o livro. Desde então procurei conhecer os clássicos da literatura e da poesia brasileira e universal, e mais adiante procurei conhecer os autores subversivos. Também me ajudou muito nessa busca um programa de entrevista que passava na TV cultura na época, chamado provocações apresentado pelo mefistofélico Abujamra, nele eu pude conhecer diversos autores que me instigariam a criar a minha própria arte.

 (F.C.) COMO VOCÊ MOLDA E CONSTRÓI SUA ESTÉTICA POÉTICA


 Não há necessariamente um sistema, na verdade sou avesso a qualquer tipo de regra ou imposição estética ou estilística, posso te dizer que eu não construo o que ocorre é o oposto, há uma desconstrução, já que toda construção tem como imperativo a destruição e vice versa. Por outro lado, a minha arte é extremamente sensitiva, pense no desregramento dos sentidos que encontramos em Baudelaire e Rimbaud e nos artistas surrealistas, por exemplo, e na proposta pessoana encontrado naquilo que ele chamou de “intersensacionismo”. Entre o homem ou poeta e o papel em branco existe um ávido desejo de explorar sem limite algum todas as possibilidades e nuances que o infinito universo da palavra e da realidade nos oferece... Se bem que, a forma desistiizada e, de certa forma desregrada com que eu escrevo não deixa de ser uma forma estilística. No mais, toda arte é uma forma de expressão e deve atender aos anseios de quem a empreende e nada mais.

 (F.C.) É DO MEU CONHECIMENTO QUE VOCÊ CURTI MUITO METAL EXTREMO. NAS SUAS MAIS VARIADAS VERTENTES .DE QUE FORMA ISSO INFLIENCIOU NA SUA POESIA ?
 Bem, é do seu conhecimento que existe naquilo que eu escrevo um certo gosto pelo grotesco, por temas violentos e por um tipo de universo caótico, orgiástico, anticlerical, profano, um fascínio pela morte e pelo lado sombrio da vida. Todos esses temas nós encontramos a contento não somente em bandas de metal como também em algumas bandas de rock’n roll. Tenho contato com esse tipo de música desde que eu tinha uns doze anos e, de certa maneira, ele me ajudou a moldar e muito o meu caráter. Com certeza, o frenesi violento que exala de meus poemas são também influenciados pelo metal já que ele faz parte de minha existência e corre venosamente em minhas veias vinte e quatro horas dos meus dias.

 (F.C.) ME DÊ MAIS DETALHES SOBRE SEU LIVRO DE POESIAS.QUANDO VAI PUBLICA-LO ? E DE QUE FORMA VAI FAZE-LO? QUANTAS POESIAS VÃO SER?

 Pois é, ele está engavetado e quando ele sair vai virar uma antologia já que já tem uns três anos que eu venho me inclinando a lançá-lo, acho que ele será o meu eterno projeto. Tenho um apanhado considerável de poesias, mais ainda acho que são muito poucos, acho que deve ter uns setenta poemas, eu não mais os contabilizei, pois, sou um escritor passivo, escrever não é uma atividade burocrática e como já sou bem grandinho para acreditar em inspiração poética, mais das vezes prefiro ser afetado pelas coisas, vivenciá-las, digeri-las, regurgitá-las e devorar o instante novamente, e só depois é que eu escrevo. Escrever não constitui uma exigência para mim, é antes um deleite... E já que oitenta por cento de nossa vida não é consciente de si, o poema aparece quando ele bem entender, e por tal motivo, não escrevo muito e ainda acho que possuo poucos poemas para se constituir um livro. Sei que quando eu lançá-lo se chamará K-ótica, lançarei de forma independente, quero que seja algo artesanal, xerocado e sem muita publicidade, não tenho a intenção de ser o poeta de um grande espetáculo, e no momento o lançamento do livro não se constitui uma prioridade, deixá-lo-ei germinar de maneira natural. Por enquanto, venho postando de uma maneira não muito assídua poemas no meu blog, e é isso. Mas penso em lançá-lo um dia, e você saberá de antemão.

 (F.C.) SEUS ESCRITOS FEDEM A QUE ? ( PERGUNTA FILOSÓFICA)

 A tudo que é humano já que isto não me é estranho. Os meus poemas possuem uma miríade de cores, sabores e aromas, mais dais vezes disformes, azedos e fétidos, tudo aquilo que a cultura de massa renega constitui a minha matéria prima, o meu ponto de partida, a humanidade em toda a totalidade que esse termo abarca é a minha primazia. Depois, eu posso desferi de volta em seus rostos apáticos tudo aquilo que eles negam e que fingem não ver e que sentem aversão ao enxergar, comer, cheirar. Os meus escritos são provocativos até o talo meu velho, e causa o mesmo estrago ás pessoas enfiados nariz ou boca á dentro, como cu á dentro.

 (F.C.) DEFINA O SER POETA E O SER-POETA NA SUA VISÃO DE MUNDO.

 Não tenho nenhum tipo de visão mistificadora do artista, ou melhor, prefiro desmistificar esse tipo de crença que há nessa metafísica do artista e da arte. O último poema que eu postei em seu blog chamado Sanctus Poeticum significa uma dupla provocação á toda e qualquer ontologia, seja ela religiosa ou artística. O artista ou o poeta, é de fato um ser privilegiado e talvez extraordinário pela sua esquizofrênica percepção dos fatos externos e internos, mais não existe nada de divino em seu exercício. Certa vez Kafka estava visitando uma galeria de arte com um pupilo seu chamado Gustav Janouch, este se deparou com uma pintura de Picasso e então comentou que Picasso deformava intencional e exageradamente o ser humano, Kafka então disse que o que ocorria era que Picasso tinha apenas penetrado em um lugar da realidade que a consciência comum não conseguia ainda perceber, e acrescentou que a arte era um mecanismo que adiantava os fatos feito um relógio. Pois bem, se pensarmos no gosto pela vidência de Rimbaud e William Blake, por exemplo, podemos ter uma visão aproximativa daquilo que constitui a arte. O poeta possui uma horizontal e privilegiada visão das coisas humanas, uns mais e outros menos
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 (F.C.) SUAS PALAVRAS LUTAM CONTRA QUAIS VALORES E DISCURSOS ?

 Minhas palavras são um riso frouxo e estridente, um vomitar para com qualquer tipo de conformismo em vida e arte, contra toda e qualquer pretensão uniformizadora e arrebanhadora... Critico o meu tempo vivendo a parte, na contra mão do progresso humano, sou um outsider, mas também tenho ciência de minha natureza sádica, e assim não me enfureço contra os medíocres já que eles possibilitam a exceção.

 (F.C.) CITE ALGUNS DOS SEUS AUTORES PREFERIDOS.
Dostoiévski, Kafka, Rimbaud, Baudelaire, Sade, Pessoa, Blake, Nietzsche, Heráclito, Piva, Você, Mário de Sá carneiro, Saramago, Poe, Graciliano Ramos... Puta que pariu, tem muita coisa que eu gosto escritores, poetas, pintores. Vou te deixar com essas figurinhas carimbadas, como vê, ando sempre em má companhia, o próprio Satanás não mexeria comigo.

 (F.C.) RECENTEMENTE LANCEI MEU LIVRO OSSUÁRIO DE PALAVRAS MALDITAS E OBSERVEI UM FATO INTERESSANTE .COMO AS PESSAOS AINDA ACHAM QUE POESIA TEM DE NECESSARIAMENTE ESTAR LIGADA A TEMAS BONITOS DE AMOR , PAZ , VIDA NO CAMPO E SEI LA MAIS O QUE
 .
 Existe algo pior, se você mora no nordeste então deverá escrever sobre seca, fome, ou seja, no bom estilo regionalista, nada contra, só que a arte é universal não é mesmo. Mas de fato, a poesia sempre foi associada a esses temas de novela das seis, as pessoa querem seu panis et circenses para continuar vivendo ilusoriamente e confortavelmente suas vidas. Não tenho a intenção de revolucionar nada com meus escritos, à arte é um barro cru que cada qual molda a seu bel prazer, só não me sinto obrigado a escrever sobre o que quer que seja dentro de minha realidade regional ou imposto por medíocres anseios espirituais. Como disse Piva, “sou um poeta na cidade e não da cidade”.

 (F.C.) ESPAÇO ABERTO VOMITE SUAS IDIOSSINCRASIAS.

 Somos poucos, mas muito perigosos, o cheiro de enxofre não prenuncia o inferno metafísico, e sim nós, criaturas de carne e osso e subversão, o inferno é degustado no café da manhã e cotidianamente rege a mórbida sinfonia de nossas vidas... Acho que as pessoas estão mais “bestas” do que na época da inquisição, a igreja tira em nome de deus o fruto dos suores dos cegos devotos e estes se regozijam pelo lugar comprado no céu loteado, estamos voltando á época das trevas, as igrejas se multiplicam feito ratos, e mesmo quando a gravadora brada o genial slogan, “você adora, a sl... toca”, eu é que fico adorando tamanha cara de pau e santa ingenuidade. Nós seremos queimados com certeza, em nome dos direitos humanos... Agradeço pela inédita oportunidade, espero nunca mais ser entrevistado, é algo esquisito... Sim, muito sucesso dentro de seus anseios com seu livro, ainda estou esperando a minha cópia.

OS VERMES DO SILÊNCIO MALDITO

Algo de estranho nos olhares das pessoas. Certo que há.
Ou seria minha índole descrente de tudo? Teoria da conspiração? Hipocrisia de Deus? Ou apenas uma opinião imbecil de um ateu?
Não, falo sério, há alguma putrefação anciã nesse engodo todo. Seria no Natal? No dia das mães? Coitadas... Pobres mães.
Nos pari e ainda se vêem no meio dessa poesia obscura
No dia dos eternos namorados?
Que traem seus companheiros(as) na primeira oportunidade com uma freira zambeta, mas que tem um corpinho de DEVASSA!
Há algo de pobre nos escrotos dos homens-deuses desse planeta
Há algo de feira-livre no mercado global.
Restart e outas banalidades mundanas
Mas vivia a putaria, pois é carnaval.
Com Cristo ou sem ele Não sabemos o que é pior
A todos um fervoroso:
 
Vermes do silêncio maldito!!!!!!!

 Roberto Freitas

A CONSCIÊNCIA HIPERTROFIADA

Dorme no pesadelo a civilização Animada por drogas e outras panacéias metafísicas artificiais Forjados na mídia para o controle das massas... ...Catapultas sublevam meu ser Eleva-se ele (o meu ser)
 Ao paroxismo de um conceito metafísico
 Eu, andarilho em tédio
 Divago por estas suntuosas florestas de concreto inanimado...
Ora sentido-me grande
Mais das vezes sentido-me inútil e vil
 Niilismo passivo e ativo
 Atravessam-me feito flechas
 Pelo olho do furacão que desce garganta a dentro
 Me transformando num monstro de inércia...
 Todos os delírios e contradições
 Passeiam-me sempiternas e insondáveis eras...
Como o palhaço de si mesmo, é o outro que ri
 Riso convulsivo, sarcástico e sádico como são todos os risos...
 A megalomania esta para os conceitos
 Como a vileza para as ações. Nós, os criteriosos senhores feudais da ciência
Agrimensores rigorosos da verdade
Em todo o esplendor egoísta e solipicista
 Que exige nossa arte
Orgulhosos de si e indiferente como o solista
 Da grandiloquente sinfonia em seu majestoso ocaso...
 A tarde cai regurgitando luzes cinzas
 Numa profusão de tédio panorâmico ao pôr do sol a noite desprende-se do firmamento
Tomba sobre o globo
 Onde dorme no pesadelo a civilização
 Hipocondríaca e narcisista
Com sua exagerada subjetividade de introvisão unilateral.

 LEIDIVAN RODRIGUES

DICA DE LEITURA : ARESTAS de Wender Montenegro

“O poeta se constrói a partir de cada verso, de cada estrofe, de cada poema. É esta a sua alvenaria predileta, sedimentada com o cimento da palavra. O poema é talvez o caminho mais longo para a descoberta do homem. De seus píncaros ou de seus pântanos. De seus clarões ou de suas trevas. O poema deve ser o olho clínico que investiga as feridas do corpo e da alma. Até mesmo o poema hermético nos enxerga e sabe onde nos dói com maior intensidade. Wender Montenegro não ignora que a vida é uma caminhada entre curvas e arestas. Ao poeta cabe polir as arestas que nos magoam. Do tempo, da vida, do sonho, do amor e até mesmo da morte.” wendermontenegro@hotmail.com (contato)
 


O sonho que rompeu o alvéolo do sono e sentou à mesa do café comigo vomitou em mim sua gosma de febre, ralou meu sorriso e espargiu seu fel no asfalto do dia.



  WENDER MONTENEGRO

OSSUÁRIO DE PALAVRAS MALDITAS

Meu primeiro livro de poesias chamado " Ossuário de palavras malditas" que versa sobre vários temas dentre eles ateísmo,mitologia,morte,doenças ,caos,sexo .O livro e feito por uma editora profissional .Formato 14 cm x 21cm com orelha ,capa com laminação fosca frente,miolo (p/b)papel pólem soft 80g (meio amarelado) . Interessados entrem em contato FRETE VER REGIÃO
APOTEOSE CANCERÍGENA
Me chamam simplesmente de Câncer Mas tenho muitos nomes Sou aquele que devora Sem instante nem hora Do pobre ao abastado. O corpo me alucina tecidos epiteliais Neoplasias engasgadas na boca dos órgãos Metástases sepulcrais canibalizam anseios existências. Leucemia cantarolando pessimismos a esperança cinza Fibromas sem classe ensinam a humildade A um paciente varrido pela quimioterapia. Malquerenças palpitando no desespero cru Possibilidade maltrapilha de poder soprar vida Carcinoma de foice sedento no crepúsculo dos hospitais. JOÃO HENRIQUE

SANCTUM POETICUM




“Eu direi as palavras mais terríveis esta noite... este é o meu estranho emprego este mês”
(Roberto Piva)
Estive muito tempo dentro de um buraco
E agora que o buraco esta dentro de mim
Posso escavar-me sempiternamente ao meu bel prazer
Nesse determinar-se ad infinitum...
Tive um êxtase dionisíaco um delírio profético
Ao qual eu batizei de tanatologia para mortos-vivos
Um delírio epifânico aflorou-me as portas da percepção
Dando-me acesso a um arcanum revelador
Ao qual vos participo agora irmãos...
Fui eu quem matou a poesia para que ela fosse crucificada
Canonizada santificada entronada e adorada novamente
Tornalá-ei dogma e em seu nome erguerão altares
A louvarão em êxtase e com fremir e em júbilo verterão lágrimas de emoção
Em nome da veneranda santa poesia
Regozigem-se ovelhas do rebanho poético da salvação
Prostem-se perante a mater nostra intercessora dos deuses
Tragam suas humildes oferendas
Ofereçam em holocausto seus filhos inocentes e suas próprias vontades
Para a gloriosa expiação de vossas mediocridades
Sacrifiquem jovens virgens a poesia reclama por sangue puro
O cabaço deve ser deflorado ad majorem gloriam sanctus poeticum
Aproximem-se todos em ecumênica adoração e reverência
Venham lavar seus cus hipócritas com o vinho da oblação
E da purificação através da desmesura da libido corporis
No desabrochar vertiginoso da arte poética.

LEIDIVAN  ROGRIGUES

MEMÓRIAS FILMADAS PELO MENINO CINEASTA

In memoriam de Régis Moreira (1988-2010)
Nos deixou assim como quem não foi .Se tivesse pelo menos me falado não tinhas partido .Não deixaria a reta que traçou entortar seu destino. Entre um passar de vida e começo de morte .Andou pelo solo do mundo .No curta metragem existencial dos teus sonhos. De vez em quando queria ser Antoneoni no eclipse funesto da última noite .Escondia-se no suspense de um corpo que cai procurando Hitchcock .Passeava por Bergman no jardim dos gritos e sussurros . Entregue ao chamado da sétima arte .E o grito de sua aflição .Seu filme será sempre assistido pelo cinema de nossas lembranças . João Henrique 02/11/2011

Um velho louco se debruça
sobre as janelas do pensamento
onde o verbo se faz carne
e do caos brota o mundo

Mira-se no espelho de Narciso
molda o esterco com as mãos
dando-lhe forma e conteúdo
um escarro, porém, lhe dá vida

o velho fica a esgueirar-se
espionando sua criação
dia após dia fica se escondendo
a rir do seu patético brinquedo

no brilho doentio de seus olhos
pode-se ver o azul celeste
e na aridez de sua pele
todas as chagas do mundo

os mais divinos entorpecentes
o levam aos desertos do norte
o levam a terra de púrpura
e todo mundo conhecido

dias e noites...dias e noite
o ciclo infinito da existência
razão cósmica insuprimível
geradora da total insanidade

o velho aguarda aborrecido
por infindáveis anos a fio
no tédio da ridícula onisciência
a morte que teima em não vingar.

EDSON   XAVIER

A VOZ FAMILIAR

Uma voz ecoa intimidando caminhos Chega a pronunciar blasfêmia e pecado Destrói idéias, rindo, consome o vinho Segue o martírio de ser um amaldiçoado. É capaz de criar e em detalhes se perder Faz-se mostro e herói, tão criativo e tão cego Desenvolve a armadilha que o faz sofrer Diariamente afeta o seu louco ego. Lembro-me das vezes em que chegavas embriagado Brindavas com a derrota e cuspia os pilares da moradia Logo a sarjeta, era rapidamente agregado Sentia a angustia ao fim do dia. Que fizeste para chegar a tal estado? És um tolo por deixar-se levar ao infortúnio Substitui-se por promessas repetidas São abatidas e por gestos és vedado Tu reges entre pai, filho, salvador e tirano O irmão crápula, o bem e o mal da família A fé e a descrença que inspiram ao pequeno És a ausência de mais um dia longo, dentre tantos, o desengano. (Talbert Igor)

Nota de rodapé
ou trecho suprimido
anjos
são demônios subidos.

A noite

Subindo paredes. Saciando a sede.... O suor, em seu corpo, vai condensando... Chovendo conforme vamos cansando. Gritos de alegria Em meio a um perfeito movimento de harmonia, Que, aos poucos, vai revelando desejos; Todos, deliciosamente, praticados entre beijos. Amo a maciez da tua pele E o cheiro que teu corpo expele. Adoro quando você, em mim, passeia, Pois nesse momento sinto o sangue pulsar [em minha veia]. Thiago Ivo

O Poeta e sua amante Poesia

Ali vai caminhando um homem chamado Poeta .Tropeçando no gritos e nas agruras do seu tempo.Conversa com as pitonisas e envereda pelas trilhas sem oráculos. É perseguido por Górgonas e Minotauros até o Hades solitário de suas crenças. Sussurra de vez em quando barulhos ao silêncio e faz metáforas com sofrimento crônico. .Depois de conhecer Poesia. O poeta rasga suas entranhas .E sua sede de carne conhece a hemorragia das paixões .A beleza escondida . O vicio. A entrega. .Nos becos sem tesão .Poesia faz danças em forma de cárcere .Nas avenidas sem orgasmos .Poesia trepa com todos. .Filha de um sátiro com uma puta .Mulher lúbrica encanta o poeta .Loucura,descontrole,luta. .Mulher dantesca salivada nos espinhos .Rosa mofada inundada de pétalas .Bebe o vinho ,bebe o vinho .Mulher caveira ! E dê a foda de todas as palavras . JOÃO HENRIQUE 10/09/2011

A NOITE

Meus caninos apodrecem lentamente Parece prudente que eu seja vencido Que se faça a vontade e se cumpra a sina Aceito a sentença que vem do desconhecido. Ofereço a Baco o rubro da carne e as tentações do prazer As tradições milenares, a vontade de ser Ser além do esperado. Perco-me na plantação de sonhos! Acho o motivo em um copo e o esqueço em tropeços. Por idéias, estou preso e acorrentado Leso por não acreditar em chances que sempre chegam. Ouço o ranger da alvorada e as passadas do relógio Que mistérios me aguardam ao fim do quarteirão? Abatido, termino o vinho que tanto me acompanhou Desapareço na escuridão entre vielas e calçadas. Vou chegando ao término de uma rotina que sempre tive Relembro a fotografia, sinto lentamente à brisa forte O destino faz-me perceber a cortina que estivera perto Meu corpo pálido e frio é um convite a morte. TALBERT IGOR

ESCAFANDRO NA LIBIDO DOS VAGA LUMES LOMBRADOS





Um sol castrado no horizonte límbico da putrefação cotidiana
Onde ventos nostálgicos sopram venenos do passado
No motor eólico do meu coração de energias renováveis.

Sentimentos descartáveis contribuem para o equilíbrio do planeta
No microcosmo de minhas idiossincrasias
Paralizados no macrocosmo da agonia e do desespero humano.

Arma na mão...
Roleta russa meu amor!!!!
A arma é meu irmão gêmeo siamês .

Fantasmas bocejam mudos
Na esquizofrenia de minhas sensações
Um gozo mais libidinoso que Sade
Palpita em meu corpo
Passeia em meus nervos frágeis
Me tiram do chão
Como uma crise de labirintite
Nos labirintos escafândricos na outra dimensão
Que se estende para além do corpo
Porém ainda nesse mundo...
Mergulho incerto na areia movediça de si mesmo
Nos inconcientes desejos Freudianos
Afundo, absorvo, implodo-me e exploro-me...
Vaga-lumes lombrados guiam-me escuridão a dentro
Dessa estrada turva
Que insinua a próxima curva bifurcada ladeira acima
Contra a corrente e na contra mão.
17/08/20011

Leidivan Maldito

SONHOS DE AMOR




Medonhas confidências fiz à lua,
A velha prostituta dos amantes,
Bebendo do meu copo, exposta e nua,
Permite-se ao desfrute das bacantes.

Orgástica e tão plena já flutua
Sangrando as ilusões mais delirantes.
Reflexos desta dama sobre a rua
Enganos falsificam diamantes.

Meus espermatozóides sem proveito,
Jogados nas latrinas da esperança.
Rolando, vou sozinho em velho leito

Arcando com meus erros. Grito amor,
Apenas o vazio inda me alcança
Lançando meus prazeres ao terror...

Marcos Loures

O cio da Terra


Terra que piso, terra que me sustenta,
Bendita terra que gera a semente...
Terra no cio,
Terra que inflama num grito
Na imensidão...
Ao parir cada parte de vida...
Nessa grandeza,
Sinto o cheiro da vida...
O rasgo que se rompe
Ao brotar de cada semente.
Água que sustenta os vegetais,
Sendo terra, tendo seiva,
Terra que amamenta sua criação...
Ovos fecundos dos passarinhos,
Vôos acasalados,
Cada qual com seu par,
Vejo os bem- te- vis,
Os canários,
Os sabiás e as juritis,
Ouça o cantar enamorado
Dos rouxinóis e dos pardais...
Em cada centímetro de terra tem cio,
A lontra no riacho quer gerar e quer parir...
O gado no pasto aumenta a criação...
Todos os mamíferos exalando cheiros no ar...
Onde mais uma vez a terra grita que tudo tem cio...
O cavalo selvagem corre rompendo fronteiras,
Vai à busca do seu par, para poder também acasalar...
O céu está coberto de pontos voadores, são insetos unidos
Copulando em pleno ar...
E a terra grita que está em criação...
A mulher quer ser mãe, óvulo fecundo,
Pare no leito e ouve sua cria chorar...
Tudo coopera para essa criação,
Ouça o som dos ventos nas árvores,
Levando os polens fecundos para outra árvore gerar...
Heis a semente, que rasga a terra, que brota no chão,
Rompe o hímen do chão quando decide procriar...
Bendita terra que gera que está sempre em criação,
Veja, sente, ouça tudo na terra mostra o seu cio...
E que o homem com as suas mãos maléficas de destruição,
Não ponha fim a essa constante renovação...
Terra que piso, terra que é o meu chão,
Terra que é mãe natureza...
Pego o meu torrão quero fazer parte dessa criação.

DEUNICE MARIA ANDRADE DE LIMA.

Entrevista


É UM DEVER DO BLOG DIVULGAR AS CABEÇAS POÉTICAS DE NOSSA REGIÃO.DESSA VEZ TEMOS RONALD FREITAS POETA PRESTES A LANÇAR SEU “CORPO AFLITO ”
F.C- Sei que seu pai foi um ávido leitor quais suas primeiras lembranças dessa época e de que forma isso o afetou?
Inegavelmente a presença da literatura confunde-se com a minha mais grata recordação... a figura sempre grave de meu pai e um mundo muito maior do que eu, mundo de contendas políticas, conversas de gente grande, pessoas “importantes” que volta e meia frequentavam minha casa, me distanciavam muito do colo paterno. Por volta dos dez anos, e meu pai já afastado da política passamos a ter um contato mais próximo, parte desse convívio devo ao Flamengo e os jogos que acompanhávamos juntos pela tv e pelo rádio ( lembra da rádio globo que só a partir das 18 horas apresentava algum sinal, acredita que hoje em dia ainda seja assim ). Dessa época o jogo de damas, os filmes de Charles Bronson e o gosto pela madrugada. Posso dizer que influência intencional nunca existiu, talvez pelo fato de não ter havido tempo hábil, posto que quando o perdi ainda não tinha completado dezoito anos. Mas posso dizer que a figura de meu pai sempre às volta com a leitura, seus livros, jornais, guardião do português mais castiço em seus memoráveis discursos, como orador virtuoso e professor, deixaram-me profunda impressão. Recordo-me apenas do único livro que me indicou, e ali por volta dos quinze, dezesseis, talvez tentando impressioná-lo, despertar sua atenção, surgiram as primeiras leituras de fôlego, como Dostoiévski , Herman Hess e o célebre Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, que de certo para você também foi um livro de referência. Ingressávamos ali no mundo dos “intelectuais” ( risos ). Voltando a única indicação, o livro era a “ Guerra do Fim do Mundo de Mário Vargas Llosa, lembro-me perfeitamente quando me disse que depois de Euclides da Cunha foi quem com maior veracidade e grandeza retratou o cenário da Guerra de Canudos... tinha grande paixão por esse livro, como também por um compêndio chamado “Discursos Parlamentares de Carlos Lacerda” ... Jorge Amado também era leitura obrigatória. Com a sua ausência, restou-me toda essa biblioteca, a impressão mais funda e uma lacuna que curiosamente foi preenchida por um sujeito que você também conhece muito bem, alguém chamado Hélio Cerqueira, o nosso Velho Harry, o nosso Karamazov, o nosso héroi-alucinado, Helinho. Mas essa já é uma outra história. ( risos )
F.C- Sempre nos reuníamos nas noitadas regadas a bebidas e delas surgiram boas poesias. Quero que você nos conte algo que o marcou .
Tempo memorável, de tantas descobertas e questionamentos, tempo de grandes incertezas ( que hoje tornaram-se ainda maiores para mim )... devo considerar que traço mais marcante dos primeiros versos tinha a cor escura e alucinada do bom e velho Augusto dos Anjos, esse foi como um soco no estômago, lembro-me de Cruz e Souza e de um trecho riscado a lápis de cera na parede do meu quarto “ flores sangrenta do soturno vício...”, lembro-me dos poemas marcados pela brasa do cigarro, dos sonetos de Eraldo escritos em qualquer canto, da poesia de Marco Doido. Recordo-me da vodca de muitas madrugadas, de uma sociedade que embora nunca tenha existido oficialmente era bastante disciplinada em suas reuniões.
F.C- Vamos pra duas perguntas de praxe : Quais as suas influencias na hora de escrever? E qual a utilidade da poesia no mundo de hoje ?
Posso dizer que Manuel Bandeira foi meu primeiro alumbramento... quando li “Os Sapos” num fascículo chamado literatura comentada. Depois vieram as escolas literárias do ensino médio, e outros nomes passaram a povoar meu universo. Pessoa, Drummond, Augusto dos Anjos, Cruz e Souza, Florbela Espanca, Ferreira Goulart, Vinícius, Quintana... Raniery Caetano, conterrâneo e grande amigo que trouxe a poesia para perto de mim. Posto que os grande vates pertenciam ao Olimpo inacessível, e de repente um sujeito de minha cidade publica um livro chamado “Apologia das Águas”, o que de certa forma foi um convite aos primeiros rabiscos de poesia. Hoje todos estes que citei continuam a fazer parte das minhas leituras obrigatórias... no momento posso incluir Manoel de Barros ( sujeito que entortou minha poesia de azul ). Quando a utilidade desta, posso dizer que para mim tem valor desmedido, escrevo pra fugir da loucura, distrair o tédio, descobrir novas cores, inventar outras. A poesia me livra da solidão e da mediocridade.
F.C- Você acha que o mundo ainda precisa de um poeta?
Quanto a isso não tenho a menor dúvida, e felizmente eles ainda assombram a realidade dominante. O poeta é vidente no seu tempo, enxerga paragens ainda desconhecidas, não hesita em escarafunchar a ferida exposta... é o dedo da criança que denuncia que o rei está nú. Afora seu poder de tornar o mundo ainda maior... dentro e fora de nós mesmos.
F.C- E seu livro como anda seu lançamento? Tem procurado editora?
Sabes o quanto é difícil editar nesse país, no caso da poesia acredito que os caminhos sejam ainda mais estreitos. No momento tenho mantido contato com duas editoras paulistas e aguardando o valor que caiba no meu orçamento, já que de outra forma morreremos anônimos ( risos ).
F.C- Qual o cheiro da suas palavras? Que sentimentos procura passar?
Porra bicho, minha palavra cheira a tanta coisa... cheira a precipício, paixão, sexo, saudade. Minha palavra tem o cheiro dos mais desesperados sentimentos da humanidade.
F.C- Recentemente você participou de uma coletânea com cinquenta poetas de todo país com a poesia ALUMBRAMENTO, e foi premiado com a primeiro lugar num outro concurso que lhe rendeu inclusive uma premiação em dinheiro. Que representa tais menções?
Curiosamente eu nem lembrava desse concurso promovido pela Flipoços-MG na feira do livro de Poços de Caldas... fiquei surpreso quando fui contactado por eles e tive esse poema publicado nessa antologia que teve a participação de cinquenta autores conforme você citou. Independente da seleção entre dois mil autores, o que me encantou verdadeiramente foi a poesia impressa, vê-la assumir a forma de texto impresso na condição de livro. Pela primeira vez me senti verdadeiramente autor, afora o nível da obra como um todo. Esse que me rendeu algum dividendo financeiro foi realizado em São Paulo e em âmbito nacional, posso dizer que pela primeira vez a poesia me trouxe algum dinheiro e acho que poderei comprar alguns livros e cometer algumas extravagâncias ( risos ).
F.C-Qual a sua relação com a internet no tocante a divulgação do seu trabalho.
Cara, praticamente restringe-se a uma comunidade que gerencio numa rede social. Ali posto vez em quando alguns rascunhos e comento outros que recebo. É um ponto de encontro para uma minoria afeita a palavra poética, uma esquina pra poesia.
F.C- Fazendo uma auto-crítica sobre seu trabalho. Você poderia nos dizer em que grau de maturidade ele se encontra?
Não poderia, mas de alguma forma sinto que o amadurecimento é resultado do alargamento de nossas leituras, do contato com outras letras e por conseguinte com o exercício constante da escrita... de resto, palavra puxa palavra.
F.C- Deixe o seu último sorriso.O  seu recado.
Só agradecer o convite do Fantascópio Cariri por poder falar livremente sobre algo que tanto me motiva. Dizer aqueles que escrevem na penumbra que exponham à crítica seus textos, que falem de poesia sem qualquer pudor, que a levem para o centro da praça, para os mais distantes rincões. Que não se apartem da função social da mesma, do seu caráter de denúncia, e que esta possa tornar mais belo o mundo a nossa volta, as pessoas a nossa volta... ou ainda, pra lembrar Quintana “ Quem faz um poema salva um afogado ”... então que nossas braçadas não cessem, ainda que a praia não esteja vista.

O suicida



O suicida caminha cabisbaixo

Percebe o fracasso,planeja e advinha

Esse ator de platéia vazia contempla

Que lhe escolhe deslumbra o delírio

Tenta fugir da nostalgia.

É o corsário que por mares desconhecidos

Por pântanos cotidianos e desertos vividos.Silencia-se ao espelho

O suicida é o mesmo paranóico de ontem,de frases e gestos

Arrependidos,por pálpebras sonolentas veste o cansaço.

É o cálcio que sustenta os ossos miseráveis da cabeça e o fio de cabelo que se desintegra

Agrega-se aos demônios ,que aos ouvidos sopram-lhe palavras lúcidas.

O suicida é a criança de hoje e o louco de manhã

É a negra sombra do telhado que acorrenta o olhar

É um corpo aparado ,pode estar em qualquer lugar.

Por Talbert Igor

O QUE ESTOU LENDO


EU FIQUEI DEVENDO A LEITURA COMPLETA DESSE PETARDO. HAVIA LIDO NA FACULDADE DE FORMA FRACIONADA PELAS APOSTILAS DA VIDA .INDISPENSÁVEL E OBRIGATÓRIO.O BREVE SÉCULO XX VISTO PELA ÓTICA DE UM DOS MAIORES HISTORIADORES VIVOS DA ATUALIDADE.

TELOS TRANSGRESSÃO



Chopin rodopiando suavemente
Nos quatro ventos do meu coração
Esplêndido nada sincronizado do romances
E dos relacionamentos exibidos na novela das seis
Pathos correndo em minhas veias
Feito dionisius vinho impúdico em minha garganta
Minhas idiossincrasias enclausuradas
Na gruta noturna de minha inconsciência
Minha juventude dorme nas mãos esquecidas de deus
Pagão confesso partidário do caos
Aves noturnas da morte
Aves de rapina de minhas selvagens impressões
Enclausuradas e torturadas em meu universo paralelo
Cheio de contradições e contravenções e contra convenções
Nascidos da veemência fremente
Do meu telos transgressão
Poetizar é perverter e submeter ao extremo a subversão
Mistificar o absurdo e crucificar as palavras
A um culto patológico e dogmático
Como os delírios das religiões e das ciências
Em meus sonhos eu vejo o céu sangrando
E anjos sequestrados trocados pela liberdade anarquista
Que a arte reivindica e necessita
Eu vejo um labirinto caindo do décimo terceiro andar
Garganta a dentro do meu corpo
Hospedeiro do caos teofânico da poesia libertina.

POR LEIDIVAN RODRIGUES

Estômago dos Deuses

FOTO: Olavo Saldanha



Lepras chamadas de gente

Presas em seus divinos prantos

Rangem seus dentes mancos

Aguardando o Deus Fome.


Ave ! ave! Faminem


Fome ,famintos

Mortos de fome

Vivos de fome.

Templos de tripas

Hóstias de lixo

Missas na rua

Vigários mendigos.


Ave! Ave! Faminem


A fome de viver

Morreu de fome

Mas, os famélicos ainda vivem com fome

Para esfaimar-se nas calçadas

Até que a fome morra de inanição.

João Henrique

EU NÃO TENHO MEDO DE RAFAEL

- -

Óculos e barba rala nem de longe podem definir-te

Apressado e tenso passageiro do delírio

Passeia no trem fantasma do teu espelho íntimo

O teu vale de lágrimas é um rio de águas turvas

Onde teus olhos de narciso-medusa

Te convidam a um mergulho sobrenatural

Cai do décimo terceiro andar

Da ilusão imagética e irreal da arte surreal

Mas tem preguiça de cair na vida

Exita pensa...

A melancolia tua companheira e minha

Parece que agarrou-se ao teu corpo

Feito uma tatuagem que o teu íntimo medo da solidão faz crescer

Só a arte te salvará perdendo-te e matando-te para renasceres outro

Uma arte vertigem transgressora

Combustível magma de teu eruptivo e implosivo vulcão

Dissimulas o teu coração que clarividente

Como as águas que espelhavam a beleza de narciso

Transparece a tua alma paisagem imediata

Cartão de visitas marcante como um sorriso espontâneo

Participamos-te e sofremos-te o que pretensamente achas esconder.


Leidivan Rodrigues

 
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