A Morte da Poesia
O assassinato intensificou-se na transição do século XX para o XXI. O sangue jorra vertiginosamente. Existem tantos os que se dizem poetas hoje, que escrevem algo qualquer na forma de versos e brada aos quatro ventos que escreveu poesia, que sentem uma forte pulsão emotiva que os levam a cuspir no papel tinta borrada para depois dizer que escreveram sob a inspiração de alguma musa ou que seus poemas carregam um forte “carga sentimental”. A poesia morre. Morre nas mãos de adolescentes que criam blogs e despejam seus “dramas existenciais” em versos confessionalistas e tão mal escritos que um bom leitor não consegue esconder a indignação diante do ultraje literário. Os “poetas” de hoje estão mortos e escrevem poesia morta; poesia sem esforço, que não passa por um crivo de auto-exigência, de autocrítica, que se contenta com o fácil, com a simplicidade sem complexidade, com a superficialidade ou, pior ainda, com um regionalismo tão pueril que quem não for da região retratada não entenderá nada do que foi escrito. Não pensem que isso é coisa somente de adolescentes blogueiros. Muitos “grandes poetas contemporâneos”, que têm se deixado levar pelas “tendências do mercado editorial”, têm publicado livros sofríveis, de mediano para ruim, muito ruim; têm se reunido em simpósio e feiras e celebrado a morte da poesia como se fosse um acontecimento mágico e sublime.
O que salvará a poesia de sua morte iminente não será feiras e encontros literários, onde os, para usar uma frase do escritor espanhol Enrique Villa-Matas, “cretinos, escritores funcionários de merda, mortos” se reúnem e se digladiam na luta pelos holofotes, mas poetas compromissados com o literário sem ambições exclusivamente econômicas, ou imbuídos de um sentimentalismo tão bobo e juvenil quanto constrangedor. Não é com simpósio que se salvará a poesia, e sim escrevendo e produzindo bons livros, ou mesmo blogs (pois existem bons poetas perdidos nessa imensidão da internet). Poesia se salva com poesia.
Nem tudo está perdido. No meio dessa morte caótica de tantos endereços virtuais e nomes, a poesia ainda consegue respirar, uma respiração que exige esforço. Poetas que escrevem sobre a guia da meticulosidade, na dedicação de tirar de cada palavra o máximo de significados que ela possa ter, de pautar seu processo de criação num exercício de reflexão racional, onde seus versos sejam frutos de um árduo esforço de escrita, não somente um derramamento de palavras no papel, conseguem fazê-la respirar e não sentir-se tão esquálida e fraca.
A poesia está num delicado momento de sua história, se banalizando e sendo crucificada por carrascos juvenis, despreparados e preguiçosos. Mas não morrerá, mesmo com tantos poetas mortos produzindo poesia morta; não morrerá porque sempre haverá aqueles poetas doentes de poesia, que escrevem com senso de responsabilidade literária, que não queiram inflar o grupo da má poesia, da poesia mesquinha e barata, que se estende em varais e não tocam a fundo ninguém. A poesia não morrerá, mesmo à míngua e com poucos
FONTE :
Ricardo Silva
Com o Olho de Hórus,
Te observo...
Ejaculo todo seu desafeto.
Feto secreto, me faço!...
Não indago a pobre caça
Desgraçada que tenta o vinho da minha taça.
Camila Senna
Te observo...
Ejaculo todo seu desafeto.
Feto secreto, me faço!...
Não indago a pobre caça
Desgraçada que tenta o vinho da minha taça.
Camila Senna
SÚTIL SACRÁRIO
Olhos
rorejados de lágrimas com os quais observo placidamente teu corpo cair...
Na
luxuria das dores que teu corpo sente
Na
lama que banha teu corpo, na flor que derrama sua beleza impiedosa, manchando
assim o inefável quadro de horror que surge diante de mim...
Olhos
vazios que conheceram abismos, os mais escuros abismos do amor.
Os
mesmos olhos que agora sopesam o cortejo velado que vislumbro da janela antiga,
com os vitrais embaciados com o suor frio, do corpo febril que arde em
agonia...
Teu
corpo que dorme; dorme; dorme e, em sutil sacrário de lama e pedra...
O seu deus vencido, caído nos braços da dor
dorme...
Anjos em revoada choram por tanta angustia e dor
Tanto desprezo,
Os olhos perdidos no horizonte sombrio
A culpa que inflama o medo...
A duvida que incita a vingança
Quando
os sons e seus ecos se perdem no vazio
E
sua voz se calar; a luz no escuro do abismo invadir minha alma, abrirei os
olhos e na claridão irei cair...
A
escuridão já sombria e lúgubre aumenta insuportavelmente a dor...
Vou celebrar!
Vou celebrar as putas
pelo prazer que elas dão
Elas encerram o
fétido jogo da sedução...
Espalham-se pelas
esquinas,
Nos romances, em
Paris,
Nos dicionários as
chamamos meretriz
Penetrá-las é único
prazer!
Sentido por muitos em
tempos já passados
Por homens que do
amor foram relegados
Celebrarei o seu
preço
Que nem caro nem
barato
Derruba qualquer
dúvida
Que te faz um
insistente chato
Celebrarei as putas!
Por sua exatidão
Que desprezam
aparências
E só desejam seu
tostão
As putas acabam com a
dor da solidão...
Daniel Carvalho
ENTREVISTA : Paulo Cesar
Mais um vez o blog assume seu compromisso de garimpar os CEIFADORES DE PALAVRAS .Nessa entrevista Paulo Cesar expõe sua poesia sua alma, nessas linhas abaixo.Policial é poeta, ser humano de sentimentos únicos .
- 1.Como a cidade de Cipó influenciou sua poesia ?
- PC
Sou nativo desta Terra-Mãe, nascedouro das águas termais, bem como catador de versos por natureza, creio na pluralidade da existência, o que diga-se de passagem não foi por mero acaso nem encanto da natureza termos nos achado aqui nesse celeiro invisível e também de boa visibilidade aos olhos e senso comum. A energia de Caldas de Cipó, a Praça Juracy Magalhães, o rio quase morto (mas que ainda sobrevive arranhando os lábios de nossa mãe termal) o povo, nossas raízes, nosso jeito sempre diferente de atravessar a ponte e até mesmo as mágoas pelo que não temos ou não fizemos para ter, enfim...o borbulhar do gênio silencioso que emerge da febre de nossas águas.
- 2.De que forma ocorreu seu despertar poético ?
- PC
(risos) Lembro-me que quando ainda adolescente (criado por minha avó Nenê de João Bispo da Coelba), de posse de alguns livros antigos que meu avô João Bispo guardava em sua maletinha de madeira, nesse ínterim, eu contava com meus 13 pra 14 anos, fã dos versos de Drummond...”no meio do caminho tem uma pedra...” daí que eu já me via a rabiscar uns versos sem pedir uma cerveja pra comungar aquele estágio, enfim tudo foi gradativo, e perceba que nunca fui um leitor assíduo. Sinto que essas raízes são profundas de modo que esse despertar é mesmo de outrora. Nessa seara deve ter acontecido mesmo de um estalo...que até hoje permanece estalando de quando em vez.
- 3.Faça um breve resumo meu caro PC sobre sua carreira poética (obras)
- PC
Então meu Professor de Filosofia, durante os anos que se seguiram desde os idos de 1980 fui amontoando cadernos e rascunhos, manuscritos, recortes, conflitos íntimos, vivências, peças teatrais e nos idos lá de 1998 publicamos junto a gráfica bonfim meu primeiro livro de poesias intitulado: UM POUCO DE TUDO, que aliás de tudo mesmo ficou bem pouco, pois das 500 (quinhentas cópias) cerca de 300 delas transformaram-se em cinzas quando do incêndio do meu primeiro automóvel...isto ocorreu na cidade de Governador Mangabeira (recôncavo baiano) que a bem da verdade eu vinha do lançamento na cidade de Maragogipe-Bahia (na casa dos artistas, à época) com o objetivo de lançar também em nossa Terra-Mãe.
- Anos se passaram e como a fonte nunca seca, após as virações e inquietações termais como de sempre, ressurge das cinzas IMPRESSÕES DIGITAIS (rabiscos&poesias) lançado pela editora Seven System (São Paulo), o que não me deixou satisfeito haja vista a obra existir de modo virtual (lapso meu, que devido a tormenta de emoções, deixei de observar algumas cláusulas do contrato no momento da assinatura) ver: www.biblioteca24horas.com, além do que o preço estipulado pelos editores (versão impressa), não condiz tanto com nossos padrões. Por hora estou a escrever contos e prosas, preparando o terreno para breve está com outra obra repleta de nuances “espíritalistas”, por conta da fase que estou atravessando, aliás faz 03(três) anos que me dedico a literatura espírita, escrevendo cartas, mensagens, poesias, textos espiritualistas sem qualquer entrave religioso nem beirar o fanatismo, aliás é no silêncio que tudo acontece. Gostaria de citar: Adenáuer Novaes, Martins Peralva, Chico Xavier e Divaldo Franco, cujas obras são indeléveis.
- 4.Lançar um livro da trabalho como sabemos. Nos conte como foi o processo do lançamento de "Impressões Digitas "
- PC
Os editores me encontraram enquanto postava poesias no site www.mesadoeditor.com.br, à partir daí partiram para a análise dos escritos, que após esse processo procurei registrar as obrar, encaminhei em pdf para análise, respondi um longo questionário enfim. Meses após essa tramitação recebi o contrato em minha casa. Confesso que a emoção da primeira viagem foi tamanha que nem recordo de ter lido na íntegra o referido contrato. Fiquei entre os dez escritores selecionados por eles. Os custos são razoáveis, entre
- 5.Uma curiosidade interessante é a escolha da sua profissão policial militar não que isto venha a desmerecê-lo, mas nos conte como é ser policial e poeta viver nesse dualismo constante.
- PC
(risos) Eu sabia que você ia me perguntar algo assim, mas te digo que de bom grado fui recebido nos quadros da Polícia Militar que após 04 anos estando como Soldado, ao deparar-me no Centro de Formação de Cabos Combatentes (1996) de pronto fui relacionado entre os atores-policiais amadores para fazer parte do elenco do grupo teatral que ali existia, tive a honra inefável de conhecer o Coronel Anhamur Correia (Diretor do Centro de Formação), Major Giffoni (relações públicas à época), Sgt Pereira (poeta e ator), seres que me fizeram ver de perto a polícia dos meus sonhos naquela época. A profissão nunca se constituiu um entrave para mim, como vate de modo algum. Aprendi a representar meu papel de servidor público e poeta do meu tempo sem constrangimentos nem olvidar tal ofício, que na essência é proteger a população a que me dedico a servir, de modo que a própria arte e o bom senso tem-me amparado sempre, me inspirado a trilhar este caminho com a firmeza necessária ao cumprimento do meu dever e como disse Che Guevara: sem perder a ternura. Hoje me encontro Sargento da Polícia Militar atuando na administração sem qualquer interferência do meu ofício de policial na arte de escrever. Aproveito para convidar os leitores a visitar o memorial Professor Evandro Goes que fica na recepção de nosso quartel, sede da Vigésima Primeira Companhia localizada no Bairro Pitomba em nossa cidade.
- 6. O que ti inspira a escrever poesia ?
- PC
O pensamento que lateja dentro de mim. As pessoas. O silêncio. Nossa Realidade. A musa que passa. Os espíritos que norteiam nosso senso de querer sempre o bem para nosso próximo.
- 7 . Cite seus escritores e poetas preferidos?
- PC
Tem muita gente que escreve com as tintas do seu próprio sangue. João Henrique, por exemplo (Ossuário de palavras mal-ditas), Raniery (Apologia das Águas) Glaydston Machado (todas as suas obras), Verônica, Ronald, Ailton Dias, os rabiscos de Eraldo...e os caras lá de longe...como a introspectiva Clarice Lispector (A Hora da Estrela), ah!!! O Carlos Drummond, Fernando Pessoa, José Saramago, Patativa do Assará...pô bicho...tem muita gente bacana que o verso tá na frente da gente, em cada esquina, em cada despertar (fiquei emocionado agora...vou tomar uma água e já volto)
- 8. Atualmente esta fazendo alguma atividade ligada a literatura? Um novo livro a caminho? Ou enveredando por outros estilos ?
- PC
Sim. Embora com o tempo corrido pra caramba...entre o trabalho e as atividades acadêmicas...você é testemunha ocular do que estou dizendo. Estou escrevendo sim...prosas, dissertações, mas como eu falei, um trabalho que reflete minha condição de alma na atualidade, muito embora sem pieguismos nem fanatismo...nem outros ismos do além-céu.
- 9. Como você definiria sua escrita?
- PC
Uma discreta metamorfose. Acho que é por aí.
- 10.
Nesse mundo moderno você ainda acha que há espaço para a poesia principalmente entre os jovens?
- PC
Sem dúvidas. Os jovens são a nossa riqueza. Abro um parêntese para uma ligeira reflexão. Ou nos armamos contra essa desaculturação musical inclusive, essa estagnação de valores, o adormecimento dos nossos espíritos do bem que garimpam em prol da arte poética, seja com promoção de semanas culturais, seja com até mesmo a proximidade entre nós poetas da terra e municípios circunvizinhos...publicação de uma coletânea inédita, divulgação do nosso trabalho nos meios de comunicação (me lembro que em 2006/2007 eu e o poeta Raniery apresentávamos o programa A NOVIDADE NO AR numa rádio em nossa cidade, sempre aos domingos), quem sabe a criação de nossa Academia, enfim meu caro, são tantas idéias luminosas que permeiam nosso orbe, que nos impõem a não desacreditar dessa premissa. A poesia é para todas as almas...inclusive dos jovens. Avançemos pois nessa simetria...SOMOS nós os intelectuais de HOJE.
- 11. O espaço esta aberto para suas considerações finais
ou agradecimentos enfim o que quiser meu caro P.C.
- PC
Agradeço na sutileza do instante os questionamentos a mim dirigidos, o que para mim se constitui uma honra inefável, vez que não me furtaria a responder em qualquer tempo, posto que é a cultura nossa de cada dia que se aflora em poetas como você, meu ilustre professor de filosofia, poeta, conterrâneo e amigo das palavras certeiras. Considero-me partícipe dessa obra de arte, latente, pulsante e dotada de tanta ternura que alguns não se apercebem, já que as verdades travestidas de CERTAS VERDADES, não se coadunam tanto com a mesmice social em que vivemos (sem poupar adjetivos), refiro-me a sua preciosa obra: OSSUÁRIO DE PALAVRAS MAL-DITAS que li e ainda leio com atenção e carinho.
- Que possamos nos encontrar mais vezes e da próxima vez distante dos corredores da faculdade, de preferência junto a um barzinho sem poupar caneta e papel...alea jacta est. Saudações Literárias a todos os que concordam e discordam, aos indiferentes...a todos os poetas de Cipó e do mundo inteiro. Luz e Paz a todos. Fraterno Abraço. Finalizo com uma poeisa do meu livro IMPRESSÕES DIGITAIS.
ESPINHOS
FABRÍCIO PAZELLI
O toque seduz seus anseios
Louca sensação de esporro
O suave aroma de seus seios
Emplaca sobre intensos gozos
Espinhos furam tua sensualidade
Machucam com furor tua inocência
Doce corte não será maldade
Num momento de pura essência
A falta machuca o desejo
Sussurrantes pela dor
Encontrados entre beijos
Onde sedeste por amor
Gritos esganiçados me deixam louco
Ela implora pelo fim e pelo instante
Teu suor corta meu corpo em fogo
Amando entre espinhos cortantes
Já no ato, entre fatos fuzilados
Tento fugir maldita proserpine
Rendo-me aos beijos e abraços
A este gosto em gozo sublime.
33 anos e mais nada
quis ser pão
quis ser vinho
quis ser água
o vento do moinho
o lider da manada
na ânsia de ser tudo
nem sequer o pó da estrada
Edson Xavier
quis ser pão
quis ser vinho
quis ser água
o vento do moinho
o lider da manada
na ânsia de ser tudo
nem sequer o pó da estrada
Edson Xavier
Entrevista: LEIDIVAN RODRIGUES
(F.C.) NOS FALE DOS SEU PRIMEIRO CONTATO COM A LITERATURA.
Bem, o meu primeiro contato com a literatura foi um tanto tardia, posso te dizer que só fui me interessar por ela quando eu estava terminando o ensino médio, na época eu tinha uns dezessete anos e achei um livro de poesias do João Cabral de Melo Neto esquecido na biblioteca do colégio em que eu estudava (você deve estar se perguntando)... É eu roubei o livro. Desde então procurei conhecer os clássicos da literatura e da poesia brasileira e universal, e mais adiante procurei conhecer os autores subversivos. Também me ajudou muito nessa busca um programa de entrevista que passava na TV cultura na época, chamado provocações apresentado pelo mefistofélico Abujamra, nele eu pude conhecer diversos autores que me instigariam a criar a minha própria arte.
(F.C.) COMO VOCÊ MOLDA E CONSTRÓI SUA ESTÉTICA POÉTICA
Não há necessariamente um sistema, na verdade sou avesso a qualquer tipo de regra ou imposição estética ou estilística, posso te dizer que eu não construo o que ocorre é o oposto, há uma desconstrução, já que toda construção tem como imperativo a destruição e vice versa. Por outro lado, a minha arte é extremamente sensitiva, pense no desregramento dos sentidos que encontramos em Baudelaire e Rimbaud e nos artistas surrealistas, por exemplo, e na proposta pessoana encontrado naquilo que ele chamou de “intersensacionismo”. Entre o homem ou poeta e o papel em branco existe um ávido desejo de explorar sem limite algum todas as possibilidades e nuances que o infinito universo da palavra e da realidade nos oferece... Se bem que, a forma desistiizada e, de certa forma desregrada com que eu escrevo não deixa de ser uma forma estilística. No mais, toda arte é uma forma de expressão e deve atender aos anseios de quem a empreende e nada mais.
(F.C.) É DO MEU CONHECIMENTO QUE VOCÊ CURTI MUITO METAL EXTREMO. NAS SUAS MAIS VARIADAS VERTENTES .DE QUE FORMA ISSO INFLIENCIOU NA SUA POESIA ?
Bem, é do seu conhecimento que existe naquilo que eu escrevo um certo gosto pelo grotesco, por temas violentos e por um tipo de universo caótico, orgiástico, anticlerical, profano, um fascínio pela morte e pelo lado sombrio da vida. Todos esses temas nós encontramos a contento não somente em bandas de metal como também em algumas bandas de rock’n roll. Tenho contato com esse tipo de música desde que eu tinha uns doze anos e, de certa maneira, ele me ajudou a moldar e muito o meu caráter. Com certeza, o frenesi violento que exala de meus poemas são também influenciados pelo metal já que ele faz parte de minha existência e corre venosamente em minhas veias vinte e quatro horas dos meus dias.
(F.C.) ME DÊ MAIS DETALHES SOBRE SEU LIVRO DE POESIAS.QUANDO VAI PUBLICA-LO ? E DE QUE FORMA VAI FAZE-LO? QUANTAS POESIAS VÃO SER?
Pois é, ele está engavetado e quando ele sair vai virar uma antologia já que já tem uns três anos que eu venho me inclinando a lançá-lo, acho que ele será o meu eterno projeto. Tenho um apanhado considerável de poesias, mais ainda acho que são muito poucos, acho que deve ter uns setenta poemas, eu não mais os contabilizei, pois, sou um escritor passivo, escrever não é uma atividade burocrática e como já sou bem grandinho para acreditar em inspiração poética, mais das vezes prefiro ser afetado pelas coisas, vivenciá-las, digeri-las, regurgitá-las e devorar o instante novamente, e só depois é que eu escrevo. Escrever não constitui uma exigência para mim, é antes um deleite... E já que oitenta por cento de nossa vida não é consciente de si, o poema aparece quando ele bem entender, e por tal motivo, não escrevo muito e ainda acho que possuo poucos poemas para se constituir um livro. Sei que quando eu lançá-lo se chamará K-ótica, lançarei de forma independente, quero que seja algo artesanal, xerocado e sem muita publicidade, não tenho a intenção de ser o poeta de um grande espetáculo, e no momento o lançamento do livro não se constitui uma prioridade, deixá-lo-ei germinar de maneira natural. Por enquanto, venho postando de uma maneira não muito assídua poemas no meu blog, e é isso. Mas penso em lançá-lo um dia, e você saberá de antemão.
(F.C.) SEUS ESCRITOS FEDEM A QUE ? ( PERGUNTA FILOSÓFICA)
A tudo que é humano já que isto não me é estranho. Os meus poemas possuem uma miríade de cores, sabores e aromas, mais dais vezes disformes, azedos e fétidos, tudo aquilo que a cultura de massa renega constitui a minha matéria prima, o meu ponto de partida, a humanidade em toda a totalidade que esse termo abarca é a minha primazia. Depois, eu posso desferi de volta em seus rostos apáticos tudo aquilo que eles negam e que fingem não ver e que sentem aversão ao enxergar, comer, cheirar. Os meus escritos são provocativos até o talo meu velho, e causa o mesmo estrago ás pessoas enfiados nariz ou boca á dentro, como cu á dentro.
(F.C.) DEFINA O SER POETA E O SER-POETA NA SUA VISÃO DE MUNDO.
Não tenho nenhum tipo de visão mistificadora do artista, ou melhor, prefiro desmistificar esse tipo de crença que há nessa metafísica do artista e da arte. O último poema que eu postei em seu blog chamado Sanctus Poeticum significa uma dupla provocação á toda e qualquer ontologia, seja ela religiosa ou artística. O artista ou o poeta, é de fato um ser privilegiado e talvez extraordinário pela sua esquizofrênica percepção dos fatos externos e internos, mais não existe nada de divino em seu exercício. Certa vez Kafka estava visitando uma galeria de arte com um pupilo seu chamado Gustav Janouch, este se deparou com uma pintura de Picasso e então comentou que Picasso deformava intencional e exageradamente o ser humano, Kafka então disse que o que ocorria era que Picasso tinha apenas penetrado em um lugar da realidade que a consciência comum não conseguia ainda perceber, e acrescentou que a arte era um mecanismo que adiantava os fatos feito um relógio. Pois bem, se pensarmos no gosto pela vidência de Rimbaud e William Blake, por exemplo, podemos ter uma visão aproximativa daquilo que constitui a arte. O poeta possui uma horizontal e privilegiada visão das coisas humanas, uns mais e outros menos
.
(F.C.) SUAS PALAVRAS LUTAM CONTRA QUAIS VALORES E DISCURSOS ?
Minhas palavras são um riso frouxo e estridente, um vomitar para com qualquer tipo de conformismo em vida e arte, contra toda e qualquer pretensão uniformizadora e arrebanhadora... Critico o meu tempo vivendo a parte, na contra mão do progresso humano, sou um outsider, mas também tenho ciência de minha natureza sádica, e assim não me enfureço contra os medíocres já que eles possibilitam a exceção.
(F.C.) CITE ALGUNS DOS SEUS AUTORES PREFERIDOS.
Dostoiévski, Kafka, Rimbaud, Baudelaire, Sade, Pessoa, Blake, Nietzsche, Heráclito, Piva, Você, Mário de Sá carneiro, Saramago, Poe, Graciliano Ramos... Puta que pariu, tem muita coisa que eu gosto escritores, poetas, pintores. Vou te deixar com essas figurinhas carimbadas, como vê, ando sempre em má companhia, o próprio Satanás não mexeria comigo.
(F.C.) RECENTEMENTE LANCEI MEU LIVRO OSSUÁRIO DE PALAVRAS MALDITAS E OBSERVEI UM FATO INTERESSANTE .COMO AS PESSAOS AINDA ACHAM QUE POESIA TEM DE NECESSARIAMENTE ESTAR LIGADA A TEMAS BONITOS DE AMOR , PAZ , VIDA NO CAMPO E SEI LA MAIS O QUE
.
Existe algo pior, se você mora no nordeste então deverá escrever sobre seca, fome, ou seja, no bom estilo regionalista, nada contra, só que a arte é universal não é mesmo. Mas de fato, a poesia sempre foi associada a esses temas de novela das seis, as pessoa querem seu panis et circenses para continuar vivendo ilusoriamente e confortavelmente suas vidas. Não tenho a intenção de revolucionar nada com meus escritos, à arte é um barro cru que cada qual molda a seu bel prazer, só não me sinto obrigado a escrever sobre o que quer que seja dentro de minha realidade regional ou imposto por medíocres anseios espirituais. Como disse Piva, “sou um poeta na cidade e não da cidade”.
(F.C.) ESPAÇO ABERTO VOMITE SUAS IDIOSSINCRASIAS.
Somos poucos, mas muito perigosos, o cheiro de enxofre não prenuncia o inferno metafísico, e sim nós, criaturas de carne e osso e subversão, o inferno é degustado no café da manhã e cotidianamente rege a mórbida sinfonia de nossas vidas... Acho que as pessoas estão mais “bestas” do que na época da inquisição, a igreja tira em nome de deus o fruto dos suores dos cegos devotos e estes se regozijam pelo lugar comprado no céu loteado, estamos voltando á época das trevas, as igrejas se multiplicam feito ratos, e mesmo quando a gravadora brada o genial slogan, “você adora, a sl... toca”, eu é que fico adorando tamanha cara de pau e santa ingenuidade. Nós seremos queimados com certeza, em nome dos direitos humanos... Agradeço pela inédita oportunidade, espero nunca mais ser entrevistado, é algo esquisito... Sim, muito sucesso dentro de seus anseios com seu livro, ainda estou esperando a minha cópia.
OS VERMES DO SILÊNCIO MALDITO
Algo de estranho nos olhares das pessoas.
Certo que há.
Ou seria minha índole descrente de tudo? Teoria da conspiração? Hipocrisia de Deus? Ou apenas uma opinião imbecil de um ateu?
Não, falo sério, há alguma putrefação anciã nesse engodo todo. Seria no Natal? No dia das mães? Coitadas... Pobres mães.
Nos pari e ainda se vêem no meio dessa poesia obscura
No dia dos eternos namorados?
Que traem seus companheiros(as) na primeira oportunidade com uma freira zambeta, mas que tem um corpinho de DEVASSA!
Há algo de pobre nos escrotos dos homens-deuses desse planeta
Há algo de feira-livre no mercado global.
Restart e outas banalidades mundanas
Mas vivia a putaria, pois é carnaval.
Com Cristo ou sem ele Não sabemos o que é pior
A todos um fervoroso:
Vermes do silêncio maldito!!!!!!!
Roberto Freitas
Ou seria minha índole descrente de tudo? Teoria da conspiração? Hipocrisia de Deus? Ou apenas uma opinião imbecil de um ateu?
Não, falo sério, há alguma putrefação anciã nesse engodo todo. Seria no Natal? No dia das mães? Coitadas... Pobres mães.
Nos pari e ainda se vêem no meio dessa poesia obscura
No dia dos eternos namorados?
Que traem seus companheiros(as) na primeira oportunidade com uma freira zambeta, mas que tem um corpinho de DEVASSA!
Há algo de pobre nos escrotos dos homens-deuses desse planeta
Há algo de feira-livre no mercado global.
Restart e outas banalidades mundanas
Mas vivia a putaria, pois é carnaval.
Com Cristo ou sem ele Não sabemos o que é pior
A todos um fervoroso:
Vermes do silêncio maldito!!!!!!!
Roberto Freitas
A CONSCIÊNCIA HIPERTROFIADA
Dorme no pesadelo a civilização
Animada por drogas e outras panacéias metafísicas artificiais
Forjados na mídia para o controle das massas...
...Catapultas sublevam meu ser
Eleva-se ele (o meu ser)
Ao paroxismo de um conceito metafísico
Eu, andarilho em tédio
Divago por estas suntuosas florestas de concreto inanimado...
Ora sentido-me grande
Mais das vezes sentido-me inútil e vil
Niilismo passivo e ativo
Atravessam-me feito flechas
Pelo olho do furacão que desce garganta a dentro
Me transformando num monstro de inércia...
Todos os delírios e contradições
Passeiam-me sempiternas e insondáveis eras...
Como o palhaço de si mesmo, é o outro que ri
Riso convulsivo, sarcástico e sádico como são todos os risos...
A megalomania esta para os conceitos
Como a vileza para as ações. Nós, os criteriosos senhores feudais da ciência
Agrimensores rigorosos da verdade
Em todo o esplendor egoísta e solipicista
Que exige nossa arte
Orgulhosos de si e indiferente como o solista
Da grandiloquente sinfonia em seu majestoso ocaso...
A tarde cai regurgitando luzes cinzas
Numa profusão de tédio panorâmico ao pôr do sol a noite desprende-se do firmamento
Tomba sobre o globo
Onde dorme no pesadelo a civilização
Hipocondríaca e narcisista
Com sua exagerada subjetividade de introvisão unilateral.
LEIDIVAN RODRIGUES
Ao paroxismo de um conceito metafísico
Eu, andarilho em tédio
Divago por estas suntuosas florestas de concreto inanimado...
Ora sentido-me grande
Mais das vezes sentido-me inútil e vil
Niilismo passivo e ativo
Atravessam-me feito flechas
Pelo olho do furacão que desce garganta a dentro
Me transformando num monstro de inércia...
Todos os delírios e contradições
Passeiam-me sempiternas e insondáveis eras...
Como o palhaço de si mesmo, é o outro que ri
Riso convulsivo, sarcástico e sádico como são todos os risos...
A megalomania esta para os conceitos
Como a vileza para as ações. Nós, os criteriosos senhores feudais da ciência
Agrimensores rigorosos da verdade
Em todo o esplendor egoísta e solipicista
Que exige nossa arte
Orgulhosos de si e indiferente como o solista
Da grandiloquente sinfonia em seu majestoso ocaso...
A tarde cai regurgitando luzes cinzas
Numa profusão de tédio panorâmico ao pôr do sol a noite desprende-se do firmamento
Tomba sobre o globo
Onde dorme no pesadelo a civilização
Hipocondríaca e narcisista
Com sua exagerada subjetividade de introvisão unilateral.
LEIDIVAN RODRIGUES
DICA DE LEITURA : ARESTAS de Wender Montenegro
“O poeta se constrói a partir de cada verso, de cada estrofe, de cada poema. É esta a sua alvenaria predileta, sedimentada com o cimento da palavra. O poema é talvez o caminho mais longo para a descoberta do homem. De seus píncaros ou de seus pântanos. De seus clarões ou de suas trevas. O poema deve ser o olho clínico que investiga as feridas do corpo e da alma. Até mesmo o poema hermético nos enxerga e sabe onde nos dói com maior intensidade. Wender Montenegro não ignora que a vida é uma caminhada entre curvas e arestas. Ao poeta cabe polir as arestas que nos magoam. Do tempo, da vida, do sonho, do amor e até mesmo da morte.”
wendermontenegro@hotmail.com (contato)
WENDER MONTENEGRO
OSSUÁRIO DE PALAVRAS MALDITAS
Meu primeiro livro de poesias chamado " Ossuário de palavras malditas" que versa sobre vários temas dentre eles ateísmo,mitologia,morte,doenças ,caos,sexo .O livro e feito por uma editora profissional .Formato 14 cm x 21cm com orelha ,capa com laminação fosca frente,miolo (p/b)papel pólem soft 80g (meio amarelado) .
Interessados entrem em contato FRETE VER REGIÃO
APOTEOSE CANCERÍGENA
Me chamam simplesmente de Câncer
Mas tenho muitos nomes
Sou aquele que devora
Sem instante nem hora
Do pobre ao abastado.
O corpo me alucina tecidos epiteliais
Neoplasias engasgadas na boca dos órgãos
Metástases sepulcrais canibalizam anseios existências.
Leucemia cantarolando pessimismos a esperança cinza
Fibromas sem classe ensinam a humildade
A um paciente varrido pela quimioterapia.
Malquerenças palpitando no desespero cru
Possibilidade maltrapilha de poder soprar vida
Carcinoma de foice sedento no crepúsculo dos hospitais.
JOÃO HENRIQUE
SANCTUM POETICUM

“Eu direi as palavras mais terríveis esta noite... este é o meu estranho emprego este mês”
(Roberto Piva)
Estive muito tempo dentro de um buraco
E agora que o buraco esta dentro de mim
Posso escavar-me sempiternamente ao meu bel prazer
Nesse determinar-se ad infinitum...
Tive um êxtase dionisíaco um delírio profético
Ao qual eu batizei de tanatologia para mortos-vivos
Um delírio epifânico aflorou-me as portas da percepção
Dando-me acesso a um arcanum revelador
Ao qual vos participo agora irmãos...
Fui eu quem matou a poesia para que ela fosse crucificada
Canonizada santificada entronada e adorada novamente
Tornalá-ei dogma e em seu nome erguerão altares
A louvarão em êxtase e com fremir e em júbilo verterão lágrimas de emoção
Em nome da veneranda santa poesia
Regozigem-se ovelhas do rebanho poético da salvação
Prostem-se perante a mater nostra intercessora dos deuses
Tragam suas humildes oferendas
Ofereçam em holocausto seus filhos inocentes e suas próprias vontades
Para a gloriosa expiação de vossas mediocridades
Sacrifiquem jovens virgens a poesia reclama por sangue puro
O cabaço deve ser deflorado ad majorem gloriam sanctus poeticum
Aproximem-se todos em ecumênica adoração e reverência
Venham lavar seus cus hipócritas com o vinho da oblação
E da purificação através da desmesura da libido corporis
No desabrochar vertiginoso da arte poética.
LEIDIVAN ROGRIGUES
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