A NOITE

Meus caninos apodrecem lentamente Parece prudente que eu seja vencido Que se faça a vontade e se cumpra a sina Aceito a sentença que vem do desconhecido. Ofereço a Baco o rubro da carne e as tentações do prazer As tradições milenares, a vontade de ser Ser além do esperado. Perco-me na plantação de sonhos! Acho o motivo em um copo e o esqueço em tropeços. Por idéias, estou preso e acorrentado Leso por não acreditar em chances que sempre chegam. Ouço o ranger da alvorada e as passadas do relógio Que mistérios me aguardam ao fim do quarteirão? Abatido, termino o vinho que tanto me acompanhou Desapareço na escuridão entre vielas e calçadas. Vou chegando ao término de uma rotina que sempre tive Relembro a fotografia, sinto lentamente à brisa forte O destino faz-me perceber a cortina que estivera perto Meu corpo pálido e frio é um convite a morte. TALBERT IGOR

1 comentários:

  1. JOÃO HENRIQUE disse...:

    Mais outra desse jovem poeta influenciado por Augusto dos Anjos e os boêmios do século 19

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